Nos últimos anos, a situação econômica do Brasil tem sido instável, com altas taxas de desemprego, queda na renda das famílias e um crescimento abaixo do esperado. Diante dessa realidade, o governo tem adotado medidas para tentar reverter esse cenário e colocar o país em um caminho de crescimento sustentável. No entanto, o caminho escolhido pelo governo tem gerado preocupações e debates entre economistas e especialistas.
Um desses especialistas é o economista e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE), Marcos Mendes. Em suas recentes análises, Mendes tem alertado para o que ele chama de “busca predatória por receitas” por parte do governo, que pode comprometer a sustentabilidade futura do país.
De acordo com Mendes, o governo tem se esforçado para cumprir a meta de resultado primário, que é a diferença entre receitas e despesas, para atingir a estabilidade fiscal em 2026. Essa meta foi estabelecida pela Emenda Constitucional nº 95, que limitou os gastos públicos pelos próximos 20 anos. No entanto, o economista ressalta que o caminho escolhido pelo governo para alcançar essa meta pode ter consequências negativas no futuro.
Uma das principais preocupações apontadas por Mendes é a antecipação de receitas. Com o objetivo de cumprir a meta de resultados primários, o governo tem utilizado receitas que só seriam arrecadadas em anos futuros. Isso pode gerar um desequilíbrio nas contas públicas, uma vez que, quando essas receitas deveriam ser arrecadadas, não haverá mais nada para compensar a antecipação.
Outra medida que tem sido adotada pelo governo é a concessão de descontos em dívidas tributárias. Segundo Mendes, essa é uma prática que tem se mostrado insustentável a longo prazo, pois gera uma perda de arrecadação e um endividamento maior em um futuro próximo. Além disso, essas concessões são feitas sem critérios claros, o que pode gerar um desequilíbrio entre os setores da economia.
Diante desse cenário, Mendes alerta que o governo está comprometendo a sustentabilidade fiscal do país, já que essas medidas geram uma dívida crescente e uma redução na capacidade de investimentos. Além disso, o economista ressalta que as decisões do governo estão sendo tomadas sem um planejamento de longo prazo, o que pode trazer consequências ainda maiores no futuro.
É importante destacar que o Brasil enfrenta uma crise financeira que vai além da pandemia de Covid-19. A fragilidade da economia brasileira tem raízes em problemas estruturais, como o excesso de gastos públicos e a baixa produtividade. E é justamente por essa razão que as medidas adotadas pelo governo devem ser vistas com cautela e planejamento.
Em vez de buscar soluções rápidas e imediatistas, é necessário pensar em medidas que possam garantir um crescimento sustentável e duradouro. Isso inclui uma reforma tributária abrangente, que possa simplificar o sistema e aumentar a eficiência na arrecadação de impostos, e uma reforma da Previdência que faça com que o país possa garantir a sustentabilidade das contas públicas no longo prazo.
Portanto, é essencial que o governo adote medidas responsáveis e planejadas para garantir um futuro mais estável para a economia brasileira. É preciso romper com a busca predatória por receitas e pensar em soluções mais estruturais e duradouras. E cabe a nós, como



