A canção “Maria, Maria”, de Milton Nascimento e Fernando Brant, ecoou em coro pelas quase 4 mil mulheres presentes na 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (5ª CNPM), realizada em Brasília no último dia 1º de agosto. Juntas, elas homenagearam a força e a resiliência das mulheres brasileiras, em um momento de debate e reflexão sobre o papel da mulher na sociedade atual.
Com o tema “Mais Democracia, Mais Igualdade, Mais Conquistas para Todas”, a 5ª CNPM reuniu mulheres de diferentes regiões do país para discutir questões importantes como o enfrentamento às desigualdades sociais, econômicas e raciais, o fortalecimento das mulheres em espaços de poder e decisão, o combate a todos os tipos de violência de gênero e a implementação de políticas de cuidado.
O evento contou com a presença de mulheres multifacetadas, representando diferentes identidades e experiências de vida. Mulheres negras, com deficiência, LBTs [lésbicas, bissexuais e transgêneras], indígenas, quilombolas, de povos e comunidades tradicionais, jovens, idosas, mães atípicas, mulheres das cidades, do campo e das águas, ciganas, migrantes e refugiadas se uniram em uma só voz para lutar por seus direitos e dar visibilidade às suas causas.
Foi possível perceber o novo conceito de “mulheridades” sendo amplamente difundido durante a conferência, com o objetivo de informar e destacar a pluralidade e a diversidade de identidades das mulheres que vivem no Brasil. Cada uma delas teve a oportunidade de compartilhar suas demandas e reivindicações, mostrando que as mulheres são muito mais do que um único estereótipo.
Mayara Alice Zambon, de Jundiaí (SP), pediu respeito a toda diversidade, a todas as “mulheridades”. Como mulher cis e pansexual, ela acredita no feminismo interseccional, que reconhece e aborda os diferentes eixos de opressão que se interligam, como raça, sexualidade, deficiência e classe econômica. Mayara ressalta que “ninguém nasce mulher, torna-se uma”, parafraseando a escritora e feminista francesa Simone de Beauvoir.
Já a enfermeira Dalvilene Cardoso, que integra o coletivo de mulheres com deficiência de São Luís do Maranhão, se considera uma “mulher de fibra”. Ela levantou o punho em protesto contra a escala de trabalho 6×1, a violência de gênero e pela valorização das profissões dentro da política de cuidados da sociedade. Dalvilene afirma que “quer menos violência, não anistia [aos golpistas], mais democracia, mais respeito e, claro, mais educação”, pois acredita que somente por meio da educação as mulheres se tornarão mais decididas e determinadas.
Em uma roda de mulheres cadeirantes, na entrada do prédio da conferência, a produtora cultural Vanessa Cornélio, de São José do Rio Preto (SP), se posicionou contra o capacitismo, que é a discriminação e o preconceito contra pessoas com deficiência. Ela acredita que é necessário desmistificar e tirar o rótulo pejorativo e pesado de dependência que muitas vezes é atribuído às pessoas com deficiência. “Precisamos de políticas educacionais que atinjam a população para reconhecer o nosso potencial e nos enxergar para além de nossa deficiência”, afirma Vanessa.
Magna Caibé, representante dos povos indígenas da Bahia, viaj



