Ativistas brasileiros denunciam tortura e privações após participarem da Flotilha da Liberdade para Gaza.
No último dia 9 de maio, ativistas brasileiros que faziam parte da Flotilha da Liberdade, um grupo de embarcações que levava ajuda humanitária para os palestinos na Faixa de Gaza, foram capturados pelas forças israelenses. Ao chegarem ao Brasil nesta quinta-feira (9), eles relataram terem sido submetidos a torturas e privações enquanto estavam sob custódia das autoridades israelenses.
De acordo com a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), os ativistas foram recebidos no porto de Gaza sendo arrastados pelo exército israelense e tiveram que ficar por mais de uma hora com a cabeça no chão, sem poder se mover. “Isso é tortura”, afirmou Lins, ressaltando que se eles foram tratados dessa forma com o mundo inteiro de olho na situação, é possível imaginar o que os palestinos sofrem diariamente nas mãos das forças israelenses.
Os 13 ativistas brasileiros ficaram sete dias presos em Israel e foram deportados para a Jordânia antes de seguirem para o Brasil. Thiago de Ávila, um dos participantes da Flotilha, ressaltou que eles foram privados de medicamentos e submetidos a interrogatórios coercitivos. “Além disso, tivemos tentativas de humilhação, violência física, privação de sono e até mesmo negação de acesso ao banheiro, alimentação e água. Isso sem contar a recusa em fornecer medicamentos para pessoas com doenças crônicas, como diabéticos que ficaram três dias sem insulina. Mas comparado ao que os palestinos sofrem diariamente, isso é nada”, relatou Ávila.
O ativista ainda destacou que a ação da Flotilha acabou permitindo que os pescadores palestinos de Gaza pudessem pescar enquanto as forças israelenses estavam ocupadas com a captura dos ativistas em águas internacionais. “Ficamos felizes ao saber que, enquanto estávamos presos, os palestinos puderam pescar. Isso é uma pequena vitória, mas ainda é muito pouco comparado ao que eles sofrem todos os dias”, afirmou Ávila.
Além disso, os ativistas comemoraram o acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas, que pôs fim à escalada de violência na região. “Não é nossa vitória, é do povo palestino. Eles não precisam mais se preocupar em serem bombardeados a todo momento. Isso é o mais importante agora”, destacou Ávila.
A ativista e presidenta do PSOL-RS, Gabrielle Tolotti, que também participou da Flotilha, ressaltou a importância desse acordo para a comunidade palestina, que tem muitos familiares na região. “Ontem, em Gaza, as pessoas conseguiram dormir em paz, sabendo que talvez não morreriam. Isso é muito importante. Esse acordo foi arrancado das autoridades israelenses, que tinham o plano de dizimar toda a população palestina”, afirmou Tolotti.
Por fim, os ativistas brasileiros pedem que a comunidade internacional continue pressionando Israel para que respeite os direitos humanos dos palestinos e pare com as violações constantes. Além disso, eles ressaltam a importância de continuar apoiando a causa palestina e denunciando as injustiças cometidas. A Flotilha da Liberdade é mais um exemplo de solidariedade e resistência em prol da busca pela paz e justiça na Palestina.


