No último dia 20 de setembro, uma triste e lamentável notícia abalou o estado de Rondônia. Dois irmãos, Alex Santos Santana e Alessandro Santos Santana, foram mortos por policiais militares durante uma operação de reintegração de posse em Machadinho do Oeste. Os irmãos faziam parte de um grupo de centenas de famílias que ocupavam quatro fazendas do grupo Nelore Di Genio, propriedades que integram o espólio do empresário João Carlos Di Genio, fundador do grupo educacional Unip/Objetivo.
De acordo com a Polícia Militar de Rondônia, os irmãos foram baleados após trocarem tiros com os agentes do Batalhão de Choque que patrulhavam a área já desocupada. No entanto, fontes ligadas à Comissão Pastoral da Terra (CPT) refutam essa versão, acusando a PM de perseguir os sem-terra mesmo após o grupo ter começado a deixar as fazendas, conforme determinação judicial.
É importante ressaltar que essa não é a primeira vez que a PM de Rondônia se envolve em conflitos com sem-terra. Em 2010, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil por omissão na morte de sem-terra no estado. E agora, mais uma vez, vemos a triste realidade de vidas perdidas em um conflito que poderia ter sido evitado.
Segundo a PM, os policiais estavam patrulhando a região para evitar uma nova ocupação da área, que os sem-terra reivindicam para a reforma agrária. No entanto, ao avistarem um veículo trafegando em alta velocidade, os agentes tentaram abordá-lo, mas os ocupantes ignoraram o aviso e tentaram fugir. A partir daí, iniciou-se uma perseguição que resultou na morte dos irmãos Santana.
A PM alega que os irmãos atiraram contra os policiais, o que justificaria a reação dos agentes. No entanto, a CPT nega essa versão e afirma que os sem-terra não estavam armados e não houve troca de tiros. Além disso, a perícia não pôde ser realizada no local, pois a PM alegou que a distância e o histórico de conflitos na região impediram a chegada dos peritos.
É importante destacar que as famílias já haviam começado a deixar as fazendas de forma pacífica, mas muitas delas ainda permaneciam nas imediações, sem ter para onde ir. A desocupação das fazendas do Grupo Di Gênio, que os sem-terra alegam ser terra pública grilada, começou há algumas semanas e foi realizada sem prévia notificação e sem a apresentação de um Plano de Desocupação, conforme determina o Conselho Nacional de Justiça.
O assessor agrário da CPT, Josep Iborra, conhecido como Zezinho, afirma que a operação de reintegração de posse se tornou uma verdadeira “caçada humana” contra os sem-terra. E que os irmãos Santana faziam parte do grupo que deixou a Fazenda Santa Maria e foram mortos em circunstâncias que precisam ser esclarecidas.
A CPT acionou órgãos como o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Ouvidoria Agrária Nacional e os Ministérios Públicos estadual e federal para que acompanhem a situação e encontrem uma solução para o conflito. É preciso que as autoridades tomem medidas efetivas para garantir a segurança e os direitos dos sem-terra, que lutam por uma vida digna e pela reforma agrária.
Os advogados que representam o Grupo Di



