Recentemente, o mundo foi abalado com a notícia de um navio à deriva, chamado Spiridon II, que transportava quase três mil vacas para a Líbia. A embarcação enfrentou vários problemas durante sua jornada, incluindo falhas sanitárias e de identificação dos animais. Depois de meses de espera e incertezas, a Líbia finalmente permitiu o desembarque das vacas.
Esse triste episódio levantou uma discussão importante sobre o comércio de animais vivos e seus impactos negativos. Para a Mercy for Animals, organização sem fins lucrativos que visa proteger e defender os direitos dos animais, o caso do navio Spiridon II é apenas um exemplo entre tantos outros problemas enfrentados no transporte marítimo de animais.
Segundo a organização, a prática de transportar animais vivos apresenta diversos riscos, tanto para os próprios animais quanto para o meio ambiente. O ambiente artificial do navio, com o constante balanço do mar, as altas temperaturas e a superlotação, causa estresse físico e psicológico nos animais, o que pode levar ao enfraquecimento do sistema imunológico e ao desenvolvimento de doenças.
Além disso, as condições precárias de higiene nos navios e a falta de assistência médico-veterinária adequada ainda agravam a situação. O resultado é um grande sofrimento para os animais, que muitas vezes chegam ao seu destino em condições precárias ou até mesmo mortos.
Outro risco destacado pela Mercy for Animals é o ambiental. A idade avançada das embarcações utilizadas para transportar os animais e a ausência de equipamentos adequados para essa finalidade aumentam o risco de naufrágios. Além disso, as fezes e a urina dos animais ao longo do trajeto acabam poluindo o meio ambiente, afetando a saúde pública e prejudicando a economia local.
Diante dessa situação, a organização participou de uma audiência pública realizada pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados nesta quinta-feira (11), em Brasília. O objetivo foi discutir medidas para enfrentar o problema do transporte de animais vivos no Brasil.
Durante a audiência, a Mercy for Animals apresentou dados preocupantes sobre a exportação de animais vivos no país. De acordo com o Comex Stat, o Brasil é o maior exportador do mundo, com um recorde de 952 mil bois embarcados apenas em novembro de 2025. Caso essa média se mantenha, é provável que até o final do ano o país ultrapasse a marca de um milhão de animais exportados.
Para lidar com essa realidade, existem dois projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional que visam desestimular a exportação de animais vivos. Uma proposta é a alteração da Lei Kandir para vetar isenções de impostos na exportação de animais vivos, enquanto a outra visa a tributação das operações relacionadas a esses animais. Além disso, o Ministério do Meio Ambiente tem atuado no Judiciário em defesa dos direitos dos animais.
Uma das preocupações levantadas pela diretora de Proteção Animal do Ministério do Meio Ambiente, Vanessa Negrini, foi uma emenda apresentada pela Frente Parlamentar da Agropecuária ao Projeto de Lei 347/2003, que trata da proteção à fauna silvestre. Segundo ela, essa emenda pode fragilizar a proteção penal dos animais ao excluir atividades produtivas da lei dos crimes ambientais.
No entanto, a tendência global é de proibição da exportação de animais vivos. Países como Índia, Nova Z


