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Brasil não assina comunicado sobre Venezuela liderado pela Argentina

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O Mercosul, bloco econômico formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, realizou sua cúpula neste sábado (20) em Foz do Iguaçu (PR), sob a presidência do Brasil. Durante o encontro, parte dos membros do bloco, liderados pela Argentina, divulgou um comunicado conjunto pedindo o restabelecimento da democracia e o respeito aos direitos humanos na Venezuela.

O documento, assinado por autoridades do alto escalão de países como Argentina, Paraguai, Panamá, Bolívia, Equador e Peru, expressa “profunda preocupação” com a grave crise migratória, humanitária e social que assola a Venezuela. Além disso, reafirma o compromisso dos países em buscar, por meios pacíficos, a plena restauração da ordem democrática e o respeito aos direitos humanos no país vizinho.

A Venezuela, que se tornou membro do Mercosul em 2012, foi suspensa do bloco em 2017 devido à ruptura da ordem democrática, conforme previsto no Protocolo de Ushuaia, assinado em 1998 e que trata dos compromissos democráticos dos países do bloco. Desde então, a situação no país tem se agravado, com uma crise política, econômica e social que tem levado milhares de venezuelanos a deixarem o país em busca de melhores condições de vida.

O comunicado emitido pelo Mercosul também ratifica a validade do Protocolo de Ushuaia e reitera a importância de mecanismos para a defesa da democracia. Além disso, pede a libertação dos presos políticos na Venezuela, que são vítimas da repressão do governo de Nicolás Maduro.

No entanto, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, optou por não assinar o comunicado, assim como o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi. Segundo o Palácio do Planalto, a decisão foi tomada para evitar que o documento fosse interpretado como um apoio a uma possível intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela.

Os Estados Unidos, que não reconhecem Nicolás Maduro como líder legítimo da Venezuela, têm aumentado sua presença militar na região do Caribe, sob a justificativa de combater o narcotráfico. No entanto, para o presidente Maduro, a verdadeira intenção é controlar as riquezas petrolíferas do país e tirá-lo do poder.

A Venezuela é um dos maiores produtores de petróleo do mundo e o produto é o pilar da economia do país. A ação norte-americana de bombardear embarcações e apreender navios de petróleo pode causar uma asfixia financeira ao país, agravando ainda mais a crise.

Durante a cúpula do Mercosul, o presidente Lula enfatizou a importância de buscar uma solução diplomática para a situação na Venezuela, afirmando que uma intervenção militar geraria uma catástrofe humanitária e um precedente perigoso para o mundo. Ele também ressaltou que, após mais de quatro décadas da Guerra das Malvinas, o continente sul-americano não pode permitir a presença militar de uma potência extrarregional em sua região.

No entanto, o presidente da Argentina, Javier Milei, adotou um tom mais duro em relação a Nicolás Maduro, chamando-o de “narcoterrorista” e elogiando as ações militares dos Estados Unidos na costa venezuelana. Ele afirmou que a Argentina acolhe com satisfação a pressão dos Estados Unidos e de Donald Trump para libertar o povo venezuelano, e que o tempo da timidez em relação a esse assunto já passou.

É importante ressaltar que a situação na Venezuela é complexa e delic

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