A variação da taxa básica de juros, conhecida como Selic, é um assunto que está sempre em pauta quando se trata de investimentos. E com a recente elevação da Selic para 14,25%, a maior desde julho de 2015, muitas dúvidas surgem sobre como essa mudança afeta as diferentes opções de investimento em renda fixa.
Para entender melhor as consequências dessa alta da Selic, é importante saber como ela funciona. A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, determinada pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Ela serve como referência para as demais taxas de juros do mercado, influenciando diretamente o custo do crédito, as taxas de juros das aplicações financeiras e até mesmo o câmbio.
Nesse contexto, a elevação da Selic tem o objetivo de conter a inflação, que nos últimos anos tem apresentado números preocupantes. Com a alta da Selic, o Banco Central busca desacelerar o consumo e o crédito, estimulando as pessoas a investirem em vez de consumirem. Isso significa que, em teoria, as opções de investimento em renda fixa se tornam mais atraentes e rentáveis.
Mas como essa mudança na taxa de juros afeta de fato as diferentes aplicações de renda fixa? Para responder essa pergunta, faremos simulações considerando quatro opções de investimento: CDB, Tesouro Direto, LCA e poupança. Vamos assumir um investimento inicial de R$10 mil e um período de um ano.
Começando pelo CDB (Certificado de Depósito Bancário), ele é um título emitido pelos bancos para captar recursos e pagar juros aos investidores. Com a alta da Selic, os bancos podem oferecer rentabilidades mais atraentes em seus CDBs, já que os juros que eles precisam pagar aos investidores também aumentam. Um CDB que antes rendia 90% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), taxa de juros que acompanha a Selic, agora pode render 100% ou mais. Ou seja, com a elevação da Selic, o CDB se torna uma opção mais vantajosa para investidores que buscam rendimentos maiores em curto prazo.
Considerando uma rentabilidade de 100% do CDI, o CDB renderia aproximadamente 14,25%, ou seja, R$1.425 em um ano. Levando em conta também a cobrança de Imposto de Renda, que pode variar de acordo com o tempo de investimento, o rendimento líquido seria de aproximadamente 11,40%. Com isso, o investidor teria um retorno de R$11.140, sendo R$140 de juros e R$1.000 de retorno do capital investido.
Já no Tesouro Direto, que é um programa do governo federal para venda de títulos públicos a pessoas físicas, a alta da Selic também tem impacto positivo. Como os títulos públicos são remunerados pela taxa Selic, o aumento dessa taxa resulta em uma valorização dos títulos já adquiridos. Além disso, o cenário de incertezas econômicas e políticas do país faz com que os investidores busquem títulos mais seguros, como os do Tesouro Direto, o que pode aumentar a demanda e consequentemente elevar os preços dos títulos.
Considerando um título Tesouro Selic 2021, que é pós-fixado e acompanha a variação da Selic, com um investimento inicial de R$10 mil, o investidor teria um rendimento bruto de aproximadamente 14,25%, ou seja, R$1.425 em um ano. Com a incidência de Imposto de Renda, o rendimento líquido seria de aproximadamente 12,11%, resultando em um retorno de R$



