Um estudo recente divulgado pela Pordata, uma base de dados estatísticos sobre Portugal, revelou um dado preocupante sobre a política do país: apenas seis em 24 governos conseguiram concluir seu mandato desde as primeiras eleições legislativas em democracia, em 25 de Abril de 1976. O último a conseguir foi o governo de António Costa, que esteve no poder entre os anos de 2015 e 2019. Esses números levantam questões sobre a estabilidade política em Portugal e o que pode ser feito para garantir que os governos eleitos consigam cumprir seus mandatos até o final.
Desde a redemocratização, Portugal tem um histórico de instabilidade política. Diversas crises econômicas e políticas marcaram a trajetória do país, o que contribuiu para a falta de continuidade governamental. Ao longo de quase 45 anos, Portugal teve 24 governos, sendo que a média de duração de cada mandato é de apenas dois anos e meio. Esses números são preocupantes, pois a falta de estabilidade política pode impactar diretamente a economia e a vida dos cidadãos.
No entanto, é importante ressaltar que essa instabilidade não é exclusividade de Portugal. Outros países europeus também enfrentam problemas semelhantes, como é o caso da Itália, que teve 67 governos desde a Segunda Guerra Mundial. Mas isso não significa que a situação deva ser aceita sem questionamentos. É necessário buscar soluções para garantir que os governos eleitos possam cumprir seus mandatos e realizar as mudanças necessárias para o desenvolvimento do país.
Uma das principais causas apontadas para a falta de continuidade governamental em Portugal é a fragmentação partidária. Com um sistema político multipartidário, é comum que nenhum partido consiga a maioria absoluta nas eleições, o que acaba resultando em coalizões governamentais frágeis e instáveis. Além disso, as constantes trocas de governo também são influenciadas por crises políticas e escândalos de corrupção, que abalam a confiança da população nos governantes.
Outro fator que tem contribuído para a falta de continuidade governamental é a falta de planejamento estratégico. Muitas vezes, os governos eleitos têm propostas ambiciosas, mas não conseguem implementá-las devido à falta de planejamento e recursos. Isso leva a promessas não cumpridas e descontentamento da população. Além disso, a falta de diálogo e cooperação entre os diferentes partidos também pode dificultar a realização de projetos e a tomada de decisões.
Diante desse cenário, é preciso que haja uma mudança de mentalidade por parte dos governantes e da população em geral. É fundamental que os políticos tenham um compromisso com o bem comum e trabalhem juntos em prol do desenvolvimento do país. Além disso, é necessário que sejam criados mecanismos de controle e transparência, para evitar a corrupção e garantir que os recursos públicos sejam utilizados de forma eficiente.
Outra solução possível seria a implementação de um sistema de governo mais estável, como o parlamentarismo. Nesse sistema, o chefe de governo é eleito pelo parlamento e o governo só perde o poder se perder a confiança da maioria dos parlamentares. Isso evitaria as constantes trocas de governo e garantiria uma maior estabilidade política.
Contudo, é preciso ressaltar que não existem soluções milagrosas e que a estabilidade política é um processo que exige esforço e comprometimento de todos. É necessário que a população se informe e participe ativamente da política, cobrando dos governantes e exigindo transparência e responsabilidade na



