O mundo tem acompanhado com atenção as negociações comerciais entre Estados Unidos e China, as duas maiores potências econômicas do planeta. Desde o início do ano, as duas nações têm travado uma guerra comercial, com a imposição de tarifas e retaliações mútuas. No entanto, recentemente, os líderes dos dois países anunciaram uma trégua de 90 dias, com o objetivo de chegar a um acordo que ponha fim a essa disputa. Mas, segundo o ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), Otaviano Canuto, essa negociação deve demorar mais do que o previsto e a relação entre EUA e China não voltará ao que era antes.
Em entrevista ao InfoMoney, Canuto analisa que a trégua de 90 dias é apenas um prazo simbólico e que as negociações devem se estender por mais tempo. Ele acredita que o prazo de 90 dias é insuficiente para resolver todas as questões comerciais entre os dois países, que possuem diferenças estruturais em suas economias. Além disso, o ex-diretor do FMI ressalta que a relação entre EUA e China não voltará ao que era antes, mesmo que um acordo seja alcançado.
Segundo Canuto, a disputa comercial entre as duas potências deve resultar em tarifas entre 30% a 34%, o que terá impacto significativo na economia global. Ele explica que, mesmo que os dois países cheguem a um acordo, as tarifas já impostas não serão retiradas imediatamente, o que afetará o comércio e o crescimento econômico de ambos. Além disso, o ex-diretor do FMI alerta que essa disputa pode gerar uma desaceleração econômica global, afetando países que possuem relações comerciais com os EUA e a China.
Canuto também destaca que a guerra comercial entre as duas potências não é apenas uma questão de tarifas, mas também envolve questões tecnológicas e de propriedade intelectual. Ele ressalta que a China tem investido fortemente em tecnologia e inovação, o que tem gerado preocupação nos EUA, que temem perder sua posição de liderança nesse setor. Por isso, o ex-diretor do FMI acredita que a disputa entre os dois países vai além do comércio e envolve uma disputa pelo domínio tecnológico.
No entanto, apesar das incertezas e dos desafios, Canuto acredita que a disputa comercial entre EUA e China pode trazer oportunidades para outros países, como o Brasil. Ele destaca que, com a imposição de tarifas entre as duas potências, outros países podem se beneficiar e aumentar suas exportações para os dois mercados. Além disso, o ex-diretor do FMI ressalta que o Brasil possui uma posição estratégica, sendo um grande produtor de commodities, o que pode atrair investimentos de empresas que buscam diversificar suas cadeias de suprimentos.
Outro ponto importante destacado por Canuto é a necessidade de o Brasil se preparar para possíveis impactos da disputa comercial entre EUA e China. Ele alerta que, caso a economia global desacelere, o Brasil pode ser afetado, principalmente por ser um país exportador de commodities. Por isso, é importante que o país adote medidas para fortalecer sua economia e diversificar suas exportações, reduzindo sua dependência desses dois mercados.
Em relação ao futuro da relação entre EUA e China, Canuto acredita que, mesmo que um acordo seja alcançado, a disputa comercial entre as duas potências deve continuar. Ele ressalta que as diferenças estruturais entre as economias dos dois países são grandes e que essa disputa pode se estender por muitos anos. No entanto, o ex-dire



