No último dia 16 de setembro, o ex-ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, prestou depoimento de forma remota da cadeia onde está preso, confirmando a reunião citada pelo senador Cid Gomes e negando qualquer conhecimento sobre a operação “Punhal Verde Amarelo”. O depoimento foi dado no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, que investiga possíveis irregularidades na gestão da pandemia pelo governo federal.
Durante o depoimento, Braga Netto afirmou que nunca tinha ouvido falar sobre a operação “Punhal Verde Amarelo” ou sobre o suposto esquema de corrupção envolvendo a compra de vacinas contra a Covid-19. O ex-ministro também negou ter conhecimento sobre a suposta pressão feita pelo presidente Jair Bolsonaro para que o Ministério da Saúde comprasse a vacina indiana Covaxin.
Braga Netto também foi questionado sobre a reunião citada pelo senador Cid Gomes, que teria acontecido em março deste ano e contou com a presença de Bolsonaro, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o ex-ministro da Secretaria de Governo Luiz Eduardo Ramos. Segundo o senador, na ocasião, Bolsonaro teria mencionado a operação “Punhal Verde Amarelo” e pedido para que o Ministério da Saúde acelerasse a compra de vacinas.
No entanto, Braga Netto afirmou que não se recorda de ter participado dessa reunião e que, caso tenha acontecido, não houve nenhum tipo de pedido ou pressão para a compra de vacinas. O ex-ministro também ressaltou que não tinha conhecimento sobre a existência da operação “Punhal Verde Amarelo” e que nunca foi informado sobre qualquer esquema de corrupção envolvendo a compra de vacinas.
O depoimento de Braga Netto trouxe à tona mais uma vez as acusações de corrupção envolvendo a compra de vacinas contra a Covid-19 pelo governo federal. No entanto, o ex-ministro negou veementemente qualquer envolvimento nesses supostos esquemas e reforçou que sempre atuou de forma ética e transparente durante sua gestão no Ministério da Defesa.
Além disso, Braga Netto também aproveitou o depoimento para esclarecer alguns pontos importantes sobre sua atuação no governo. Ele ressaltou que, durante sua gestão, não houve qualquer tipo de interferência política nas Forças Armadas e que sempre atuou de forma técnica e profissional na condução das ações do ministério.
O depoimento de Braga Netto também levantou discussões sobre a postura do governo federal em relação à pandemia. Enquanto o ex-ministro nega qualquer conhecimento sobre a operação “Punhal Verde Amarelo” e a pressão para a compra de vacinas, o presidente Jair Bolsonaro segue defendendo o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19 e se posicionando contra medidas de distanciamento social.
No entanto, é importante ressaltar que a CPI da Covid-19 tem como objetivo investigar possíveis irregularidades na gestão da pandemia e que o depoimento de Braga Netto é apenas uma das etapas desse processo. Ainda serão ouvidos outros depoentes e analisadas provas e documentos para que se chegue a uma conclusão sobre as ações do governo federal no enfrentamento da pandemia.
Por fim, é fundamental que a CPI da Covid-19 siga seu curso de forma transparente e imparcial, para que sejam apuradas todas as possíveis irregularidades e responsabilidades. A população brasileira espera por respostas e é importante que a verdade prevaleça, para que possamos aprender com os erros



