O Ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius Marques de Carvalho, trouxe à tona uma importante questão que tem preocupado a população brasileira: os descontos associativos irregulares a aposentados e pensionistas. Em seu depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga esses descontos ilegais, o ministro revelou que já havia conhecimento sobre o problema desde 2019, mas que a dimensão do mesmo só foi percebida em março de 2024, após solicitações de informações feitas pela imprensa.
Segundo Carvalho, desde o governo anterior de Jair Bolsonaro, a CGU já tinha preocupações em relação a esses descontos, devido a denúncias apresentadas ao órgão. Além disso, foram realizadas mais de 11 reuniões para discutir o assunto, evidenciando a seriedade com que a questão vem sendo tratada.
O ministro também destacou que a CGU identificou dois pontos de alerta em relação aos descontos associativos. O primeiro foi em relação às denúncias que já haviam sido feitas, e o segundo foi o aumento dos valores cobrados. Isso porque, segundo ele, houve um aumento no número de entidades que assinaram acordos de cooperação técnica com o INSS, permitindo que realizassem esses descontos. E, como consequência, houve um aumento no número de descontos irregulares em 2022 e 2023.
No entanto, o ministro esclareceu que só tomou conhecimento da real dimensão do problema em março de 2024, após uma série de pedidos feitos por jornalistas através da Lei de Acesso à Informação. Ele também ressaltou que a área técnica da CGU já estava trabalhando no assunto, mas que não se sabia a gravidade do problema.
Carvalho também explicou que, ao assumir o cargo em 2023, herdou o plano de auditoria da CGU feito em 2022, e que o primeiro plano de auditoria de sua gestão só foi realizado em 2023. Isso mostra que o governo anterior não deu a devida atenção ao assunto, o que resultou no aumento dos descontos irregulares nos anos seguintes.
Em relação às declarações publicadas na imprensa, atribuídas a servidores da CGU, levantando suspeitas de que informações sigilosas não teriam sido incluídas nos relatórios, o ministro afirmou que há diversos “imperativos legais” que podem tornar necessário o sigilo das informações, para não prejudicar as investigações. No entanto, ele garantiu que o relatório foi tornado público em sua integridade após as operações da Polícia Federal, que permitiram a divulgação dessas informações.
É importante destacar que o problema dos descontos associativos irregulares não é recente e, infelizmente, vem afetando a vida de muitos aposentados e pensionistas. Esses descontos são realizados por entidades que possuem acordos com o INSS, mas que não possuem autorização para realizar essas cobranças. Isso resulta em prejuízos financeiros para os beneficiários, que muitas vezes não têm conhecimento desses descontos e acabam tendo que lidar com dívidas e dificuldades financeiras.
Diante disso, é fundamental que as autoridades competentes tomem medidas efetivas para combater esse problema. A CGU já abriu 40 processos sobre descontos ilegais em pensões do INSS e o presidente da CPMI, Alfredo Gaspar, mantém o pedido de prisão de sócio do Careca do INSS. Além disso, a Polícia Federal já realizou operações e a CPMI segue investigando o caso.



