Nos últimos dias, o mundo tem acompanhado com atenção o chamado “shutdown” do governo norte-americano, que resultou no fechamento de diversas agências e serviços públicos nos Estados Unidos. Entre as consequências desse impasse político, está a falta de atualização e divulgação de dados econômicos importantes, que são fundamentais para a tomada de decisões de investidores e empresários ao redor do mundo.
No entanto, em meio a esse cenário de incertezas, uma tendência vem ganhando cada vez mais importância: o uso de dados alternativos. Esses dados, muitas vezes coletados por empresas privadas, têm se mostrado uma ferramenta valiosa para preencher as lacunas deixadas pelo “apagão” de informações do governo dos Estados Unidos.
Para entender melhor como os dados alternativos estão sendo utilizados em meio ao “shutdown”, conversamos com o economista-chefe da Inter, uma das maiores corretoras do Brasil. Segundo ele, apesar da falta de dados oficiais, o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, deve seguir com seu plano de cortar a taxa de juros em 0,25 ponto percentual.
“Os dados alternativos têm se mostrado cada vez mais precisos e confiáveis. Com a falta de informações oficiais, o mercado tem recorrido a esses dados para entender melhor a situação econômica dos Estados Unidos”, explica o economista.
Entre os dados alternativos mais utilizados, estão os índices de atividade econômica, como o PMI (Índice de Gerentes de Compras) e o ISM (Instituto de Gestão de Suprimentos). Esses indicadores são calculados com base em pesquisas com empresas e fornecedores, e dão uma visão geral da saúde da economia.
Além disso, o uso de dados de redes sociais e de geolocalização também tem se mostrado uma ferramenta importante para entender o comportamento do consumidor e a movimentação da economia. Com a falta de dados oficiais sobre vendas no varejo, por exemplo, as empresas têm recorrido a essas informações para avaliar o desempenho do setor.
Para o economista da Inter, o uso de dados alternativos é uma tendência que veio para ficar. “Com o avanço da tecnologia, temos cada vez mais acesso a informações em tempo real. Isso permite que tenhamos uma visão mais completa e atualizada da economia, mesmo em momentos de crise como esse”, afirma.
Além disso, o economista ressalta que o uso de dados alternativos pode trazer benefícios não apenas em momentos de “shutdown” do governo, mas também no dia a dia dos negócios. “Com essas informações, é possível tomar decisões mais precisas e rápidas, o que pode resultar em vantagem competitiva para as empresas”, destaca.
Apesar da importância dos dados alternativos, o economista ressalta que eles não devem substituir completamente os dados oficiais. “Essas informações são complementares e devem ser utilizadas em conjunto. Ainda é fundamental que o governo cumpra seu papel de fornecer dados confiáveis e atualizados”, afirma.
Em relação ao corte de juros pelo Fed, o economista da Inter acredita que a decisão deve ser mantida mesmo com a falta de dados oficiais. “O mercado já precificou esse corte e, mesmo sem os dados, é improvável que o Fed mude de ideia. Além disso, a economia dos Estados Unidos ainda apresenta sinais de desaceleração, o que justifica a medida”, explica.
Em resumo, o “shutdown” do governo norte-americano tem mostrado a importância dos dados alternativos para a economia global. Com o avanço da tecnologia, essas informações têm se mostrado cada vez mais precisas e confiáveis, e devem ser utilizadas em conjunto com os dados oficiais. Mes



