O recente episódio da Operação Contenção, no Rio de Janeiro, que resultou em mais de 100 mortes, deixou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estarrecido. Em entrevista coletiva, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou que o presidente ficou chocado com a violência e o número de vítimas da ação policial.
A operação, que teve como objetivo combater o crime organizado no estado, foi considerada pelo ministro como “extremamente violenta” e levantou questionamentos sobre sua compatibilidade com o Estado Democrático de Direito. Além disso, chamou a atenção para a falta de planejamento e coordenação entre as forças de segurança, já que o governo federal não foi informado ou envolvido na ação.
Diante da magnitude do problema, o presidente Lula determinou que sua equipe se reunisse com o governador Claudio Castro para identificar as necessidades do estado e de que forma o governo federal pode contribuir. O objetivo é minimizar o sofrimento da população, apoiar as forças de segurança e intensificar o combate às organizações criminosas.
Uma das medidas já tomadas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública foi a transferência de 10 detentos para presídios federais, que teriam liderado as ações de retaliação à operação. Além disso, peritos criminais e médicos legistas da Polícia Federal e da Força Nacional foram enviados para auxiliar na identificação dos corpos e elucidar os crimes.
O ministro ressaltou a importância do trabalho de inteligência no enfrentamento ao crime organizado, que está cada vez mais sofisticado. Ele defendeu a necessidade de uma atuação conjunta e coordenada entre as diversas forças de segurança, além de um maior investimento em tecnologia e planejamento.
Nesse sentido, o governo federal enviou ao Congresso Nacional a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que prevê uma maior integração entre a União e os entes federados e dá respaldo constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública (Susp), criado por lei ordinária em 2018.
É importante ressaltar que a violência e a criminalidade são problemas complexos e que exigem uma abordagem ampla e integrada. Não há soluções fáceis ou rápidas, mas é fundamental que o Estado atue de forma efetiva e coordenada para garantir a segurança e a proteção dos cidadãos.
Por isso, é louvável a atitude do presidente Lula em buscar uma solução conjunta com o governador do Rio de Janeiro, em vez de simplesmente criticar ou se eximir de responsabilidades. É preciso que as autoridades trabalhem juntas, em prol do bem-estar da população e da construção de um país mais seguro e justo.
A sociedade também tem um papel importante nesse processo. É preciso que cada um faça a sua parte, denunciando crimes e colaborando com as autoridades, além de cobrar medidas efetivas e fiscalizar a atuação dos governantes.
Não podemos nos acostumar com a violência e a morte. É preciso que ações como a Operação Contenção sejam exceções e não a regra. O Estado deve garantir a segurança de seus cidadãos, mas sem violar seus direitos e sem recorrer a medidas extremas e desproporcionais.
Que a tragédia ocorrida no Rio de Janeiro sirva de alerta e de reflexão para que possamos construir um país mais justo e seguro para todos. E que o diálogo e a cooperação sejam sempre as principais armas no combate à violência e ao crime organizado.



