As mulheres jovens brasileiras estão cada vez mais engajadas e progressistas em relação às questões políticas e sociais do país. É o que aponta a pesquisa Juventudes: Um Desafio Pendente, divulgada pela Fundação Friedrich Ebert Stiftung no Brasil (FES Brasil).
Realizada com 2.024 jovens entre 15 e 35 anos, a pesquisa revelou que as mulheres têm posicionamentos mais progressistas do que os homens, que tendem a ser mais conservadores. Porém, ambos os gêneros concordam sobre a importância de políticas públicas e a necessidade de reduzir as desigualdades no país.
A tendência de maior conservadorismo entre os homens também foi observada em outras pesquisas que abordam percepções políticas. No caso do Brasil, isso se reflete em questões como o aborto, posicionamento político e problemas sociopolíticos do país. Já as mulheres tendem a se preocupar mais com questões relacionadas à pobreza, acesso a direitos e emprego.
Apesar das divergências, a pesquisa apontou que a juventude brasileira, de forma geral, reconhece a importância do papel do Estado e a necessidade de políticas de saúde, educação e combate à pobreza. Isso demonstra que, apesar de alguns posicionamentos mais conservadores, os jovens estão atentos às questões sociais e valorizam a atuação do governo nessas áreas.
Outro ponto importante destacado pela pesquisa é que a maioria dos jovens no Brasil se posiciona no espectro político de centro (44%), seguido por direita (38%) e esquerda (18%). No entanto, quando se trata de valores e percepções sobre a democracia, esses números podem ser questionados. Isso porque, apesar de se posicionarem mais à direita ou à esquerda, os jovens demonstram valores progressistas em relação à igualdade e direitos, como liberdade de orientação sexual e identidade de gênero, casamento entre pessoas do mesmo sexo e acesso à saúde para pessoas transgênero.
Por outro lado, a questão do aborto ainda é vista com mais conservadorismo pela juventude brasileira. Apenas 33% dos entrevistados apoiam a legalização do aborto, enquanto 51% são contrários e 16% não souberam responder. Esse dado reflete uma narrativa contrária ao aborto que ainda prevalece na América Latina.
Além disso, a pesquisa também revelou uma crise de confiança nas instituições políticas tradicionais entre os jovens brasileiros. A maioria não confia nos partidos políticos (57%), na Presidência (45%) e no Legislativo (42%). Por outro lado, universidades, igrejas e meios de comunicação são considerados instituições mais confiáveis.
Nesse sentido, é importante destacar que a questão da raça também é um fator determinante para a confiança nas instituições. Os jovens negros demonstram maior desconfiança na polícia e no sistema judiciário, refletindo a desigualdade racial histórica e o impacto da violência institucional.
Em relação aos temas sociais e direitos, a pesquisa aponta que a juventude brasileira valoriza políticas públicas que garantam educação, saúde, proteção ao meio ambiente, autonomia dos povos indígenas e regulamentação das plataformas digitais. Além disso, a maioria dos jovens acredita que o Estado deve garantir políticas de emprego, políticas sociais e políticas para a segurança cidadã.
Outro dado importante é que a juventude brasileira está cada vez mais conectada às redes sociais, tanto para buscar informações quanto para se mobilizar social e politicamente. As redes sociais são o canal preferido para a busca diária de informações por 60% dos jovens, seguidas pela televisão (45



