A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira (18), revelou uma triste realidade do sistema financeiro brasileiro: as fraudes contra o sistema financeiro podem ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. Essa estimativa foi feita pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, durante seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investiga o crime organizado.
A operação, que conta com a participação do Banco Central e do Coaf, tem como objetivo investigar um esquema de fraudes que envolve diversas instituições financeiras. Entre os investigados, está o dono do Banco Master, Daniel Vacaro, que foi preso pela PF no Aeroporto de Guarulhos. Além dele, também estão sendo investigados o presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o diretor de Finanças e Controladoria do banco, Dario Oswaldo Garcia Júnior, que foram afastados de seus cargos.
Segundo Rodrigues, as investigações tiveram início em 2014 e apontam para a criação de falsas operações de crédito por instituições financeiras, que simulavam empréstimos e outros valores a receber. Essas operações eram então negociadas com outros bancos, após a aprovação do Banco Central. Posteriormente, os créditos fraudulentos eram substituídos por outros ativos sem a devida avaliação técnica.
O Banco Master é apontado como o principal alvo da investigação, a pedido do Ministério Público Federal (MPF). Em comunicado, o Banco Central oficializou a liquidação extrajudicial da Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Imobiliários e nomeou a empresa EFB Regimes Especiais de Empresas como liquidante e Eduardo Felix Bianchini como responsável técnico.
Essa situação levanta questionamentos sobre a atuação do Banco Regional de Brasília (BRB), que sempre atuou em conformidade com as normas de compliance e transparência, prestando regularmente informações ao Ministério Público Federal e ao Banco Central sobre as operações relacionadas à compra do Banco Master. O BRB também se pronunciou sobre o caso, afirmando que está colaborando com as investigações.
O Banco Master ficou conhecido por adotar uma política agressiva para captar recursos, oferecendo rendimentos de até 140% do Certificado de Depósito Bancário (CDI), o que gerou desconfiança sobre sua situação financeira. Além disso, suas operações com precatórios (títulos de dívidas de governos com sentença judicial definitiva) aumentaram as suspeitas. Recentemente, o grupo Fictor, de investimentos e gestão de empresas, anunciou a compra do Banco Master, o que levanta questionamentos sobre a seriedade dessa operação.
Apesar de ser uma notícia preocupante para o sistema financeiro do país, é importante ressaltar que a Operação Compliance Zero é um passo importante para combater as fraudes no sistema financeiro. A atuação conjunta da Polícia Federal, Banco Central e Coaf demonstra a seriedade e comprometimento em investigar e punir os responsáveis por esses crimes.
É essencial que as instituições financeiras atuem com transparência e em conformidade com as normas de compliance, garantindo a segurança e a confiança dos clientes e do mercado financeiro como um todo. Além disso, é importante que os órgãos fiscalizadores estejam atentos e atuantes para evitar que casos como esse voltem a acontecer.
A Operação Compliance Zero também serve de alerta para os investidores, que devem estar sempre atentos às promessas de rendimentos exorbitantes e desconfiar de operações suspeitas. É fundamental que sejam realizadas pes



