O IPCA-15, Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 22 de fevereiro, apontou uma alta de 0,48% em fevereiro, ficando abaixo das expectativas do mercado que era de 0,50%. Porém, mesmo com uma inflação mais baixa, as projeções de corte da Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, continuam para o mês de março.
Os dados do IPCA-15 são considerados uma prévia da inflação oficial do país, o IPCA. Esse índice tem como base as variações de preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, em 11 regiões metropolitanas do Brasil.
O resultado do IPCA-15 veio abaixo do registrado no mês anterior (0,89%), porém ainda encontra-se acima da meta do governo para o ano, que é de 4,5%. Com isso, podemos dizer que o índice foi positivo no sentindo de indicar um controle da inflação, mas ainda há um caminho a ser percorrido para alcançar a meta estabelecida.
Uma das principais influências para a desaceleração no IPCA-15 foi a queda nos preços dos alimentos e bebidas, que tiveram uma variação de -0,08%. Os produtos que mais contribuíram para essa deflação foram o feijão carioca (-16,01%), o leite longa vida (-3,49%) e o frango inteiro (-3,35%). Além disso, os combustíveis também registraram queda nos preços, com destaque para a gasolina (-2,62%) e o etanol (-2,56%).
Com esses resultados, o mercado financeiro viu uma oportunidade para reavaliar as projeções para o futuro da economia brasileira. Antes da divulgação do IPCA-15, a expectativa era de que o Banco Central iniciaria um ciclo de cortes na taxa Selic em maio, mas após o índice de inflação abaixo das expectativas, muitos economistas acreditam que esse cenário pode se antecipar para março.
A taxa Selic é usada como instrumento para controlar a inflação e, por isso, é um importante indicador para a economia do país. Quando a inflação está alta, o Banco Central eleva a taxa Selic para conter o consumo e, consequentemente, a alta nos preços. Mas, quando a inflação está baixa, como é o caso atual, o Banco Central pode reduzir a taxa Selic para estimular o consumo e, consequentemente, a atividade econômica.
Com a possibilidade de redução da taxa Selic, os investidores ficaram mais animados e o mercado de renda fixa, mais especificamente o Tesouro Direto, reagiu positivamente. Os títulos públicos oferecidos pelo Tesouro Direto têm suas taxas de juros definidas com base na taxa Selic, por isso, a expectativa de queda na taxa básica de juros influencia diretamente nos rendimentos desses investimentos.
As taxas oferecidas pelos títulos públicos no mercado secundário do Tesouro Direto estão em queda desde o início do mês. Antes da divulgação do IPCA-15, os juros dos títulos prefixados estavam próximos de 9%, mas após o índice, esses juros caíram para cerca de 8,50%. Já os títulos indexados ao IPCA, que acompanham a inflação, tiveram seus juros reduzidos de cerca de 6% para 5,50%.
Hoje, 26 de fevereiro, os juros oferecidos pelos títulos públicos no mercado secundário do Tesouro Direto continuam em queda



