Ancine abre processo contra produtora de 'Dark Horse'
Ancine abre processo administrativo contra Go Up Entertainment pela produção irregular do filme 'Dark Horse', cinebiografia de Jair Bolsonaro, filmado no Brasil...

Ancine abre processo administrativo contra produtora de cinebiografia
A Agência Nacional do Cinema (Ancine) iniciou um processo administrativo contra a empresa Go Up Entertainment devido a irregularidades na produção do filme Ancine Dark Horse, documentado através de denúncia formal. Conforme comunicado oficial da agência, a questão central envolve a realização de uma obra audiovisual estrangeira em território brasileiro sem a comunicação prévia obrigatória ao órgão regulador.
O processo foi aberto após a apresentação de denúncia que apontava a produção irregular de conteúdo audiovisual estrangeiro no país. A Ancine reafirmou em sua nota que obras internacionais filmadas no Brasil necessitam obrigatoriamente de comunicação prévia à agência, procedimento que não foi cumprido no caso deste projeto cinematográfico.
Tentativas de contato sem resposta
Conforme informado pela Ancine, foram realizadas duas tentativas de contato com a Go Up Entertainment para obtenção de esclarecimentos sobre a situação. Diante da falta de resposta da produtora, a agência lavrou um auto de infração, abrindo prazo para apresentação de defesa e recursos pela empresa.
A reportagem entrou em contato com a Go Up Entertainment buscando posicionamento sobre o processo administrativo, porém não obteve retorno até o fechamento desta matéria. Caso a produtora se manifeste, este espaço será atualizado com sua resposta e argumentação.
Detalhes da cinebiografia e sua produção
O filme Dark Horse consiste em uma cinebiografia que retrata a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. A produção traz no elenco o ator americano Jim Caviezel, de 57 anos, conhecido internacionalmente por seu papel em "A Paixão de Cristo" (2004) e por participações em produções de orientação conservadora, como "Som da Liberdade" (2023).
A direção ficou a cargo de Cyrus Nowrasteh, cineasta americano de 69 anos com experiência em produções televisivas como "Depois do Atentado" e em filmes como "O Apedrejamento de Soraya M.". Nowrasteh possui histórico de coprodução envolvendo Brasil e Estados Unidos, tendo escrito o roteiro de "Jenipapo" (1995) em colaboração com a diretora Monique Gardenberg.
Roteiro e elenco da produção cinematográfica
O roteiro de Dark Horse foi assinado conjuntamente por Cyrus Nowrasteh e Mark Nowrasteh, baseado em argumento desenvolvido por Mario Frias, ator que exerceu a função de secretário da Cultura durante a administração de Jair Bolsonaro. O elenco ainda inclui nomes como Esai Morales, participante da franquia "Missão Impossível: O Acerto Final", Lynn Collins de "The Walking Dead", Camille Guaty na interpretação de Michelle Bolsonaro, e Jeffrey Vincent Parise.
Em 7 de abril, Jim Caviezel divulgou através de sua conta no Instagram que o filme teria estreia agendada para 11 de setembro de 2026, data correspondente a uma sexta-feira. Essa informação contrasta com o padrão de lançamentos no Brasil, onde filmes convencionalmente estreiam às quintas-feiras.
Incerteza quanto ao lançamento do filme
Veículo especializado em cobertura cinematográfica, o Deadline publicou matéria em 21 de abril informando que não existe data de lançamento confirmada para o filme, "contrariamente a algumas especulações circulando online". Segundo a publicação, os cineastas responsáveis ainda estão em processo de negociação para venda do projeto cinematográfico.
Financiamento e envolvimento de terceiros
Investigações revelaram que o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, teria participado do financiamento da cinebiografia Dark Horse. As negociações envolveram contatos diretos com Flávio Bolsonaro, senador e filho do ex-presidente, que conforme as informações obtidas, exercia pressão para efetivação dos pagamentos acordados.
Vorcaro encontra-se atualmente em situação de prisão em Brasília, sendo acusado de chefia de esquema bilionário envolvendo fraudes financeiras que podem atingir a cifra de R$ 12 bilhões, conforme investigações da Polícia Federal. Essas informações foram tornadas públicas em maio através do portal Intercept Brasil, que teve acesso a mensagens trocadas entre os envolvidos e a áudio enviado por Flávio Bolsonaro ao banqueiro em setembro de 2025.
Compromisso da Ancine com regularidade audiovisual
A Ancine reafirmou seu compromisso institucional com a transparência e a regularidade do setor audiovisual brasileiro em seu comunicado oficial. A agência destacou que, por se tratar de processo em andamento, não antecipa conclusões sobre o mérito da investigação, sendo os resultados divulgados publicamente assim que finalizados. Identificadas irregularidades, a Ancine adotará as medidas legais apropriadas conforme previsão em legislação vigente.