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Clássico de Sergio Mendes de 1966 ganha reedição em LP 60 anos depois

Álbum histórico 'Herb Alpert presents Sergio Mendes & Brasil'66' é relançado em vinil verde. Conheça a reedição que marcou a internacionalização da bossa brasil...

Clássico de Sergio Mendes de 1966 ganha reedição em LP 60 anos depois
Fonte: g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/07/11/album-que-pos-o-pianista-sergio-mendes-no-mapa-mundi-do-pop-e-reeditado-em-lp-60-anos-apos-o-lancamento-em-1966.ghtml

O retorno de um marco histórico da música brasileira

Seis décadas após seu lançamento original, o icônico álbum Sergio Mendes Brasil'66 retorna ao mercado em sua forma mais clássica: o vinil. A reedição, com prensagem especial em vinil verde que remete à identidade visual tropical da obra, celebra um dos maiores sucessos da música brasileira no exterior. Lançado originalmente em 1966 pela gravadora A&M Records sob o título "Herb Alpert presents Sergio Mendes & Brasil'66", este disco revolucionou a forma como o Brasil era percebido no cenário pop mundial.

Como Sergio Mendes conquistou o mundo

O pianista, compositor e arranjador fluminense Sergio Mendes, que faleceu aos 83 anos em Los Angeles em setembro de 2024, consolidou sua presença internacional através deste álbum monumental. Mendes havia se estabelecido nos Estados Unidos em 1964, anos cruciais para a música brasileira, quando "Garota de Ipanema" explodia nas paradas norte-americanas pela voz de Astrud Gilberto, em gravação que também contava com o saxofonista de jazz Stan Getz e João Gilberto.

O diferencial de Sergio Mendes Brasil'66 foi oferecer uma releitura sofisticada e expansiva da bossa nova, mantendo a essência do gênero mas adicionando elementos do jazz latino e da música pop internacional. Enquanto "Garota de Ipanema" havia aberto as portas, foi Sergio Mendes quem consolidou a presença duradoura da música brasileira nas rádios e corações americanos e europeus.

A fórmula vencedora do Brasil'66

O sucesso do álbum de 1966 residia na composição cuidadosa da formação do conjunto. O piano virtuoso de Mendes dialogava perfeitamente com a bateria do carioca João Palma, o baixo do norte-americano Bob Matthews e a percussão de José Soares. A voz da cantora norte-americana Lani Hall complementava o som com elegância, criando uma ponte cultural entre Brasil e Estados Unidos.

Músicas que marcaram gerações

O disco trazia releituras memoráveis de clássicos da música brasileira. "Mas que nada", o samba de Jorge Ben que havia apresentado o compositor ao Brasil em 1963, funcionou como o grande impulsionador do álbum. A faixa se transformaria numa das mais conhecidas internacionalmente, garantindo que Sergio Mendes Brasil'66 ultrapassasse barreiras geográficas.

Além disso, o conjunto ambientava composições internacionais como "Day Tripper" dos Beatles na atmosfera do jazz latino, demonstrando versatilidade. Músicas como "O pato" (Jayme Silva e Neuza Teixeira, 1960), "Samba de uma nota só" (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1959, conhecida internacionalmente como "One note samba") e "Água de beber" (também de Jobim e Moraes, 1961) recebiam arranjos expansivos que as tornavam simultaneamente reconhecíveis e renovadas.

Pérolas menos óbvias do repertório

Entre as faixas mais notáveis estava "Tim dom dom", composição de João Mello e Clodoaldo Brito (o Codó da Bahia), lançada originalmente em 1962 por João Donato em seu álbum "Muito à vontade". A música havia sido rebobinada por Jorge Ben em 1963 no álbum "Samba esquema novo", o mesmo que continha "Mas que nada". A inclusão dessa faixa no disco de Sergio Mendes reforçava o diálogo profundo do músico com a tradição do samba carioca e da música popular brasileira.

Impacto global duradouro

O álbum "Herb Alpert presents Sergio Mendes & Brasil'66" rapidamente ultrapassou as fronteiras dos Estados Unidos. Conquistou mercados europeus, especialmente na Itália, França e Reino Unido, e até mesmo o distante Japão abraçou o som do conjunto. Mendes tornou-se a tradução mais completa e eficaz da bossa nova para ouvidos estrangeiros, superando até mesmo a onda inicial de "Garota de Ipanema".

A estratégia de Sergio Mendes funcionou porque respeitava as raízes brasileiras enquanto as adaptava para sensibilidades pop ocidentais. Não se tratava de diluição, mas de evolução; não de renúncia, mas de expansão. O pianista entendeu que a música brasileira possuía elementos universais quando apresentada com sofisticação.

O retorno ao vinil em contexto contemporâneo

A reedição atual do álbum em vinil não é mera nostalgia. Representa a revalorização contemporânea do formato físico e, mais importante, o reconhecimento duradouro da importância histórica de Sergio Mendes Brasil'66 na discografia mundial. Seis décadas após seu lançamento, o disco continua soando fresco, seus arranjos sofisticados resistindo ao teste do tempo.

Para novos ouvintes, a reedição oferece a oportunidade de experimentar como a música brasileira conquistou o mundo em 1966. Para aficionados, representa a homenagem apropriada a um álbum que mudou o curso da música popular internacional e consolidou Sergio Mendes como um dos maiores embaixadores culturais do Brasil jamais existiram.

O vinil verde da reedição é mais que um detalhe estético; é um convite para redescobrir como o som inovador de um pianista fluminense e seu conjunto Brasil'66 transformou a percepção global da música brasileira há seis décadas.

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