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Colômbia dividida: De la Espriella e Cepeda representam dois modelos opostos

Segundo turno eleitoral na Colômbia coloca frente a frente dois projetos de país completamente diferentes. Conheça as propostas de De la Espriella e Cepeda.

Dois projetos de país em conflito

A eleição Colômbia 2024 chegou a seu momento mais crítico com o segundo turno que colocará frente a frente dois candidatos com visões radicalmente opostas sobre o futuro da nação. Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda representam não apenas projetos políticos distintos, mas duas Colômbia fundamentalmente diferentes em suas estruturas econômicas e sociais.

De la Espriella, advogado formado fora do sistema político tradicional, avança com uma plataforma conservadora que ecoa os modelos de Donald Trump nos Estados Unidos, Javier Milei na Argentina e Nayib Bukele em El Salvador. Sua proposta centra-se em reduzir o Estado, diminuir impostos para empresas e implementar medidas de segurança de mão pesada contra a criminalidade.

Por outro lado, Cepeda, senador e filósofo formado nas tradições progressistas, propõe reformas sociais abrangentes, expansão do papel estatal e continuidade com as políticas implementadas pelo atual presidente Gustavo Petro. Sua agenda enfatiza a inclusão de populações historicamente marginalizadas e uma abordagem conciliadora em questões de segurança.

A geografia da polarização eleitoral

A polarização que marca esta eleição Colômbia não é recente nem acidental. Desde 2016, quando um plebiscito sobre o acordo de paz dividiu a nação, um padrão territorial consistente emergiu nos pleitos subsequentes. As regiões periféricas—áreas litorâneas, amazônicas e fronteiriças—tendem a votar pela esquerda, enquanto o centro andino gravita para candidatos conservadores.

Yann Basset, cientista político da Universidade do Rosario, explica que essas diferenças regionais extrapolam a simples ideologia. As regiões periféricas coincidem com as áreas economicamente mais vulneráveis, historicamente afetadas pela violência de grupos armados e pela presença limitada do Estado. Nelas concentram-se populações afro-colombianas e indígenas que buscam políticas de inclusão e redistribuição de recursos.

Cepeda obteve seus melhores resultados no primeiro turno precisamente nessas regiões, enquanto De la Espriella dominou nas áreas urbanas de classe média e alta, particularmente nas cidades andinas integradas aos centros econômicos nacionais. Os dados do primeiro turno—43,7% para De la Espriella contra 40,9% para Cepeda—refletem essa divisão territorial quase equilibrada.

Raízes históricas da divisão contemporânea

As preferências atuais têm profundas raízes históricas. Durante séculos, as regiões andinas votaram consistentemente no Partido Conservador Colombiano, enquanto as áreas litorâneas apoiavam o Partido Liberal. Embora essas agremiações tenham perdido a hegemonia política no início do século vinte, seus legados ideológicos persistem nas escolhas eleitorais contemporâneas.

Felipe Arias Escobar, historiador especializado em política colombiana, aponta que a dicotomia esquerda-direita mascara continuidades políticas mais profundas. Setores que outrora votavam no Partido Conservador migraram para Álvaro Uribe e agora gravitam para De la Espriella, enquanto aqueles ligados ao Partido Liberal seguem trajetória similar, passando por Juan Manuel Santos e atualmente apoiando Cepeda e Petro.

Este padrão revela uma Colômbia onde as identidades políticas não são rígidas, mas sim expressões de demandas socioeconômicas subjacentes. A economia extrativista das periferias contrasta radicalmente com o sistema agroindustrial integrado das áreas andinas, criando interesses materiais divergentes que se refletem nas urnas.

Novos atores e demandas emergentes

A explosão social de 2021, durante o governo do presidente conservador Iván Duque, introduziu um elemento novo na política colombiana. As manifestações contra injustiça econômica e política tradicional deixaram cicatrizes profundas e mobilizaram uma

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