Desemprego juvenil atinge 67 milhões globais; IA pode piorar crise
Desemprego entre jovens sobe para 12,4% em 2025, atingindo 67 milhões. OIT alerta que IA pode agravar situação do mercado de trabalho mundial.

Aumento do desemprego entre jovens atinge níveis alarmantes em 2025
O desemprego entre jovens registrou crescimento significativo no mercado global durante 2025, impulsionado por fatores como fraco desempenho econômico, instabilidades geopolíticas e criação insuficiente de postos de trabalho. A Organização Internacional do Trabalho (OIT), agência especializada da Organização das Nações Unidas responsável por questões trabalhistas, divulgou alertas nesta quarta-feira (12) sobre o cenário cada vez mais desafiador para os jovens que buscam ingressar no mercado profissional.
Conforme dados apresentados pela OIT, a taxa global de desemprego entre jovens na faixa etária de 15 a 24 anos ascendeu para 12,4% em 2024, comparado a 12,3% registrado em 2023. Este percentual corresponde a aproximadamente 67 milhões de jovens desempregados distribuídos ao redor do mundo, representando uma reversão nas tendências positivas observadas após o término da pandemia de Covid-19.
Deterioração na qualidade e quantidade de vagas disponíveis
O novo relatório produzido pela OIT evidencia que o aumento do desemprego juvenil reflete uma piora simultânea tanto em relação à quantidade quanto à qualidade das oportunidades de emprego oferecidas aos jovens. O documento aponta que o cenário está se deteriorando praticamente em todas as regiões analisadas pela organização.
A situação se torna ainda mais crítica quando se analisa os dados sobre jovens fora do mercado de trabalho: 20% dos jovens não trabalham, não estudam e não participam de programas de formação profissional. Este percentual representa mais de 257 milhões de pessoas em todo o mundo, refletindo uma desconexão alarmante dessa população com oportunidades de desenvolvimento profissional.
Entre as 11 sub-regiões analisadas pela OIT, oito registraram aumento na taxa de desemprego entre jovens durante o período de 2023 a 2025. Esse crescimento foi documentado tanto em nações desenvolvidas quanto em economias de renda média e baixa, indicando uma problemática verdadeiramente global.
Disparidades regionais no desemprego juvenil
As estatísticas regionais revelam disparidades significativas no impacto do desemprego. Os Estados Árabes apresentam o maior índice de desemprego juvenil, atingindo 26,2% da população jovem, seguidos pela região norte da África com 22,6%. Estes números se destacam como os mais alarmantes em escala mundial.
Contudo, algumas das deteriorações mais preocupantes ocorrem em economias mais desenvolvidas. Na América do Norte, a taxa de desemprego entre jovens aumentou de 8,3% em 2023 para 9,8% em 2025. Na região norte, sul e oeste da Europa, o índice se fixou em 15%, demonstrando que mesmo países ricos enfrentam dificuldades crescentes na absorção de mão de obra jovem.
Redução de vagas intermediárias afeta entrada no mercado
A OIT destacou um fator crítico: a diminuição das oportunidades de emprego que requerem qualificação de nível intermediário. Funções administrativas, de vendas e posições na indústria, que historicamente servem como porta de entrada para jovens recém-formados no ensino médio ou superior, estão desaparecendo do mercado.
Esta redução intensifica a competição entre jovens por um número menor de vagas disponíveis, prolongando os períodos de espera para conseguir emprego e elevando o desemprego particularmente entre aqueles com formação de nível médio. O fenômeno cria um gargalo crítico que dificulta o ingresso de gerações inteiras no mercado profissional.
Inteligência artificial como ameaça futura aos empregos jovens
As preocupações da OIT não se limitam ao cenário atual. A organização alerta que a expansão da inteligência artificial pode intensificar significativamente as pressões sobre o mercado de trabalho para jovens. Segundo o relatório, 6,1% dos empregos atualmente ocupados por pessoas entre 15 e 29 anos encontram-se em áreas particularmente vulneráveis às transformações provocadas pela IA.
Esses empregos em risco caracterizam-se como funções nas quais ferramentas de inteligência artificial podem substituir partes significativas das tarefas executadas por trabalhadores ou alterar radicalmente a forma de realização do trabalho. Se apenas 10% desses empregos fossem completamente eliminados pela automação, aproximadamente 5,6 milhões de jovens trabalhadores poderiam enfrentar desemprego, necessidade de mudança de carreira ou saída do mercado de trabalho.
O impacto maior dessa possível transformação ocorreria nos países de alta renda, onde a automação está mais avançada e acessível. A OIT ressaltou que, embora exista incerteza sobre os efeitos de longo prazo da inteligência artificial no mercado laboral, os riscos não devem ser minimizados ou negligenciados.
Crescimento limitado em profissões de alta qualificação
Enquanto as vagas intermediárias diminuem, o número de oportunidades em áreas que exigem maior especialização continua crescendo. Postos em ciência, engenharia, saúde e tecnologia da informação registram expansão na maioria dos países. No entanto, essa realidade oferece pouco alento para jovens em economias em desenvolvimento.
Muitos jovens em países menos desenvolvidos carecem de recursos financeiros para aguardar oportunidades adequadas e acabam aceitando trabalhos precários e sem garantias formais. Aproximadamente nove em cada dez jovens trabalhadores em nações de baixa e média-baixa renda estão vinculados ao setor informal, enfrentando menor proteção trabalhista e acesso limitado a benefícios e mecanismos de proteção social.