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Discord tem 10 dias para apresentar plano de proteção

Discord apresentará proposta de proteção de usuários em audiência com governo. Confira os prazos e exigências da Justiça Federal.

Discord tem 10 dias para apresentar plano de proteção
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Discord recebe prazo para apresentar medidas de proteção de usuários

A plataforma Discord foi obrigada a apresentar uma proposta voltada para a proteção de usuários junto ao governo brasileiro. Na audiência de conciliação realizada pela Justiça Federal do Distrito Federal, foi estabelecido um cronograma com prazos específicos para ambas as partes.

O encontro ocorreu na quarta-feira (2) e contou com a presença de representantes da Secretaria de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e da Segurança Pública (Sedigi/MJSP) e da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). O objetivo principal é garantir que a plataforma de comunicação adote mecanismos efetivos para resguardar crianças, adolescentes e mulheres no ambiente digital.

Cronograma e prazos estabelecidos

De acordo com o acordo alcançado na audiência, o Discord terá dez dias úteis para elaborar e entregar sua proposta de proteção de usuários ao governo. Após receber o documento, as autoridades disporão de vinte dias úteis para analisar o conteúdo apresentado e avaliar se as medidas atendem às exigências legais brasileiras.

Este cronograma marca um passo importante no processo de conciliação entre a plataforma e os órgãos governamentais brasileiros, que vêm acompanhando de perto o funcionamento da rede no país.

Context o das investigações e críticas

A ação judicial foi impetrada pela Advocacia-Geral da União (AGU) com o objetivo de forçar o Discord a implementar medidas efetivas para proteger usuários vulneráveis. A plataforma, que é amplamente utilizada por jogadores de videogames online e adolescentes, tem enfrentado críticas reiteradas sobre suas falhas em moderação de conteúdo e verificação de idade.

O governo identificou que o Discord continua apresentando deficiências nos mecanismos de proteção de usuários, o que representa um risco significativo, especialmente para o público infantil e juvenil. As exigências do governo estão pautadas na legislação brasileira, particularmente nas disposições estabelecidas pelo ECA Digital.

Caso que motivou a ação judicial

A decisão de atuar judicialmente contra o Discord foi motivada por um trágico incidente envolvendo uma adolescente de 13 anos do Mato Grosso do Sul, que cometeu suicídio após ser incitada durante uma transmissão ao vivo na plataforma. O caso, que está sendo investigado pela polícia, revelou falhas graves nos sistemas de segurança da rede.

A maioria dos suspeitos de terem incitado a adolescente é formada por menores de idade, o que agravou ainda mais as preocupações sobre a proteção de usuários na plataforma. Este episódio ganhou grande repercussão na mídia e intensificou o escrutínio das autoridades sobre o funcionamento do Discord no Brasil.

Suspensão de transmissões ao vivo

Como consequência da gravidade do caso, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão de todas as transmissões ao vivo no Discord desde 12 de agosto. Esta medida drástica foi adotada após identificar graves violações de direitos de crianças e adolescentes na plataforma.

A suspensão das lives permanece em vigor enquanto as negociações entre o governo e a empresa prosseguem, visando estabelecer padrões mais rigorosos de proteção de usuários e conformidade com a legislação brasileira.

Indenização solicitada

Além de exigir a adoção de medidas efetivas de segurança, a AGU também está pedindo que o Discord seja condenado ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 500 milhões. Este montante representa a quantificação do prejuízo causado pelos danos às vítimas e à sociedade brasileira.

A ação judicial reflete a determinação do governo em responsabilizar a plataforma pelas falhas identificadas e em garantir que medidas concretas sejam implementadas para proteger os usuários brasileiros.

Negociações e abertura para acordo

Antes de protocolar a ação judicial, o governo federal já vinha negociando com o Discord sobre ajustes em seus mecanismos de controle. Essas medidas preliminares seriam formalizadas através de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), instrumento legal que vincula a empresa a compromissos específicos.

Porém, as propostas inicialmente apresentadas pela plataforma não foram consideradas suficientes para mitigar os riscos identificados pelas autoridades. Mesmo recorrendo à Justiça, a AGU mantém-se aberta a negociações que resultem em um acordo satisfatório, desde que as medidas sejam eficazes e proporcionem adequada proteção de usuários.

Legislação aplicável

As exigências impostas ao Discord estão fundamentadas principalmente no ECA Digital, que estabelece novas regras para a proteção de crianças e jovens em redes sociais, plataformas de games e websites. Esta legislação representa um avanço significativo na regulamentação do ambiente digital brasileiro e busca garantir um espaço mais seguro para usuários menores de idade.

A legislação também coloca em perspectiva a responsabilidade das empresas de tecnologia em implementar práticas robustas de segurança e moderação de conteúdo.

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