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Expansão territorial e imigração dos EUA em 250 anos

Descubra como a expansão territorial e fluxos migratórios transformaram os EUA em potência global marcada por divisões políticas e culturais profundas.

Expansão territorial e imigração dos EUA em 250 anos
Fonte: g1.globo.com/mundo/noticia/2026/07/04/como-expansao-territorial-e-populacional-dos-eua-em-250-anos-transformou-o-pais-em-uma-potencia-marcada-por-divisoes.ghtml

A transformação de uma jovem nação em potência global

Nos dois séculos e meio desde a independência, a expansão territorial dos EUA redefiniu completamente a geografia e composição política do país. Partindo de apenas 13 colônias originais que cobriam 430.000 milhas quadradas ao longo da costa atlântica, a nação multiplicou sua extensão geográfica por oito, chegando a aproximadamente 3,7 milhões de milhas quadradas. Essa expansão territorial dos EUA foi acompanhada por uma transformação demográfica ainda mais espetacular, com a população crescendo de quatro milhões em 1790 para 343 milhões em 2025 – um aumento de 8.475%.

A trajetória dessa expansão territorial dos EUA não foi linear nem isenta de conflitos. Os fundadores da nação enfrentaram debates acalorados sobre escravidão, constituição e sistemas políticos que criaram divisões profundas desde o início. Segundo Heather Cox Richardson, professora de história dos EUA no Boston College, a sobrevivência da nação nos primeiros anos estava longe de ser garantida, especialmente após a Guerra de 1812 contra a Grã-Bretanha.

As raízes culturais das divisões atuais

A expansão territorial dos EUA revelou-se inseparável das identidades culturais distintas que moldaram diferentes regiões. Colin Woodard, diretor do Laboratório de Nacionalidade da Universidade Salve Regina, identifica padrões claros nessas divisões históricas. A região norte, denominada "Yankeeland", teve origem nos colonos puritanos que fugiram da perseguição religiosa, reforçada posteriormente por imigrantes alemães e escandinavos, consolidando uma visão pluralista.

A faixa central dos Apalaches, habitada inicialmente por escoceses e irlandeses independentes, desenvolveu uma desconfiança profunda da autoridade governamental. Para essas populações, liberdade significava maximizar a autonomia individual, uma filosofia radicalmente oposta ao coletivismo ianque do nordeste. Enquanto isso, o Sul profundo constituiu-se como uma sociedade oligárquica e hierárquica dominada por proprietários de terras, muitos transferindo suas estruturas econômicas baseadas na escravidão do Caribe.

Destino Manifesto e conflito com povos indígenas

Durante o primeiro século completo de existência, os EUA empreenderam um esforço sistemático para apagar a presença cultural dos povos indígenas que ocupavam essas terras há séculos. A ideologia do "Destino Manifesto" alimentava a crença de que a expansão territorial dos EUA era não apenas um direito, mas um dever histórico que deveria estender-se até o Pacífico e por todo o Hemisfério Ocidental.

Essa expansão territorial dos EUA para oeste criou novos pontos de convergência e conflito entre as culturas regionais estabelecidas. O interior selvagem do oeste atraía indivíduos com mentalidades individualistas semelhantes aos Apalaches, gerando tensões com os comerciantes e marinheiros da costa do Pacífico que traziam valores mais coletivistas do nordeste.

Imigração: o motor do crescimento populacional

Embora a expansão territorial dos EUA tenha praticamente cessado no final do século 19, o crescimento populacional acelerou dramaticamente através da imigração. A primeira onda migratória, iniciada na década de 1840, trouxe aproximadamente 14 milhões de pessoas, principalmente do norte e oeste da Europa, até 1889. Essas migrações foram impulsionadas pela industrialização e reforçaram o poder político do norte americano.

A segunda onda, com mais de 18 milhões de migrantes vindos do sul e leste europeu entre 1890 e 1920, desencadeou reações restritivas. A Lei de Imigração de 1924 implementou limitações tão severas que deixaram uma marca visível no gráfico de crescimento populacional anual dos EUA. Essa legislação refletia o medo persistente de que os recém-chegados ameaçassem empregos e estilos de vida estabelecidos.

A transformação demográfica contemporânea

A suspensão das restrições à imigração na década de 1960 iniciou uma terceira onda migratória que perdura até hoje. Nos últimos 60 anos, mais de 70 milhões de imigrantes entraram nos EUA, com números particularmente significativos da Ásia e América Latina. O México sozinho contribuiu com aproximadamente 18 milhões de seus cidadãos. Em 2024, os imigrantes constituíam 14,8% da população americana – equivalente ao pico histórico de 1890 – e foram responsáveis por 84% de todo o crescimento populacional do país.

Consequências geopolíticas das transformações

As dinâmicas de imigração e expansão territorial dos EUA produziram realinhamentos geográficos significativos. Os líderes do Sul, durante o século 19, pressionavam pela expansão territorial e criação de novos estados escravistas para manter a paridade de poder político no nível nacional, contribuindo eventualmente para a Guerra Civil. No século 20, as migrações inverteram essa divisão geográfica tradicional, com imigrantes e pessoas do norte sendo atraídos para o sul, especialmente para economias em crescimento em cidades do Texas e Flórida.

Essas mudanças reais nos centros de poder econômico e demográfico geraram novas tensões políticas. O surgimento do populismo conservador reflete, em muitos aspectos, uma resposta às transformações aceleradas na composição populacional e nos equilíbrios de poder que definiram a história americana recente.

Reflexões sobre futuro e identidade nacional

As aspas sobre "caracteres nacionais" que definem a nação americana revelam tensões fundamentais entre duas visões: uma que enfatiza a continuidade por descendência e sangue, e outra que celebra a construção coletiva de um futuro compartilhado através da imigração. Conforme observa Heather Cox Richardson, a imigração sempre esteve no centro da identidade americana, representando a promessa de que indivíduos poderiam construir o futuro que desejassem.

Em perspectiva histórica, 250 anos representam apenas um instante na trajetória humana. Contudo, para os Estados Unidos, esse período transformou uma coleção dispersa de colonias em uma potência global continente-abrangente. Apesar dessa trajetória extraordinária, as divisões ideológicas e culturais enraizadas no período fundacional permanecem notavelmente constantes, moldando os debates políticos contemporâneos e refletindo preocupações contínuas sobre a identidade e o futuro da nação.

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