Kim Kataguiri abandona candidatura a governador para criar superministério
Kim Kataguiri desiste de concorrer ao governo de SP e aceita comando de superministério de reformas estruturais na eventual gestão Renan Santos.

Deputado federal abre mão da disputa estadual
O deputado federal Kim Kataguiri comunicou sua desistência da pré-candidatura ao cargo de governador de São Paulo, abrindo mão da disputa estadual para abraçar um projeto de âmbito nacional. A mudança de estratégia ocorreu após sua indicação para presidir um superministério de reformas estruturais em uma possível administração do pré-candidato à Presidência Renan Santos, também integrante do recém-fundado partido Missão.
A decisão, divulgada no sábado (20) em evento do partido Missão na capital paulista, marca uma inflexão importante na trajetória política de Kataguiri. Ao invés de disputar o governo estadual, o deputado focará seus esforços na reeleição à Câmara dos Deputados, consolidando sua posição no cenário político nacional.
Características do superministério de reformas estruturais
O superministério proposto representa uma estrutura inovadora de gestão pública, funcionando como órgão transversal responsável pela coordenação de múltiplas pastas ministeriais. A iniciativa busca integrar as áreas de Fazenda, Gestão e Planejamento, Casa Civil e Trabalho, com o objetivo primordial de conduzir transformações estruturais voltadas para a redução do aparato estatal.
Segundo Kataguiri, essa configuração administrativa seria estratégica para viabilizar mudanças profundas na máquina pública brasileira. O superministério operaria diretamente do Palácio do Planalto, funcionando como uma estrutura ágil dedicada a reformas de longo alcance. Renan Santos descreveu a proposta como uma tentativa de "transformar o Palácio do Planalto numa startup", enfatizando o caráter inovador e dinâmico do projeto.
Justificativas para a mudança de rota política
Em sua explicação pública, Kim Kataguiri enfatizou a importância de contar com profissionais que acumulem tanto expertise técnica quanto capacidade de negociação política junto ao Congresso Nacional. Segundo o deputado, essa combinação de competências seria fundamental para operacionalizar as reformas estruturais pretendidas.
Kataguiri teceu críticas a experiências anteriores de governo, particularmente à gestão econômica no âmbito da administração Jair Bolsonaro. Mencionou que, embora a equipe técnica tivesse conquistado credibilidade nos mercados, a condução política realizada por Paulo Guedes deixou "um desastre". Para o deputado, seria necessário evitar esse tipo de desconexão entre competência técnica e capacidade de articulação política.
Agenda de reformas estruturais previstas
O superministério concentraria esforços em três pilares principais de transformação. Primeiramente, a aprovação de uma nova reforma previdenciária surge como prioridade estratégica, buscando adequar o sistema previdenciário às realidades demográficas e fiscais contemporâneas.
Em segundo lugar, Kataguiri indicou a eliminação dos designados "supersalários" no funcionalismo público como meta importante. Essa medida visa reduzir despesas estruturais da administração pública federal, afetando os vencimentos mais elevados do serviço público.
Complementando esse conjunto, a revisão dos pisos constitucionais de investimentos nas áreas de saúde e educação foi citada como necessária. Kataguiri sustentou que tais ajustes, embora impopulares, representam "remédios amargos" indispensáveis para qualquer gestão presidencial que vença as eleições presidenciais.
Formação da equipe econômica
Demonstrando uma visão clara sobre recursos humanos para o projeto de governo, Kataguiri sinalizou intenção de incorporar profissionais ligados à experiência histórica do Plano Real. O deputado citou nominalmente economistas como Marcos Lisboa, Samuel Pessôa, Zeina Latif, Mário Mesquita, Mansueto Almeida, Marcos Mendes e Helena Landau.
Embora reconhecesse não ter realizado convites formais até o momento do anúncio, Kataguiri declarou que o governo Renan Santos manteria "portas abertas" para esses profissionais e para "todas as mentes brilhantes do nosso país". O deputado revelou planos de divulgar os primeiros componentes do núcleo econômico projetado nos dois meses seguintes ao anúncio.
Posicionamento do partido Missão
Fundado recentemente por membros dissidentes do Movimento Brasil Livre (MBL), o partido Missão ainda não definiu sua estratégia definitiva para as disputas pelo governo de São Paulo. Segundo líderes da legenda, a agremiação não pretende apoiar outras organizações políticas na competição estadual, mantendo possibilidade de lançar candidato próprio ou permanecer neutra na disputa.
A saída de Kataguiri da corrida estadual representa movimento significativo nas alianças políticas em formação para o pleito presidencial, sinalizando uma concentração de esforços em torno da candidatura Renan Santos em nível federal.