Marina Sena rasga boneco de pano em apresentação mística no Rock in Rio
Marina Sena faz show memorável no Rock in Rio 2026 com performance teatral mística. Veja detalhes do Palco Sunset com Céu como convidada especial.

Marina Sena finalmente realiza seu show solo no Rock in Rio
A cantora mineira Marina Sena subiu ao Palco Sunset do Rock in Rio neste domingo (13) para uma apresentação que combinava elementos místicos, teatrais e uma conexão profunda com suas raízes culturais. Este foi seu primeiro show solo no festival, após ter participado como convidada de Luísa Sonza e apresentar-se no The Town com um tributo a Gal Costa.
Com repertório centrado no álbum "Coisas Naturais", a artista natural de Taiobeiras, município localizado no norte de Minas Gerais, aproveitou o palco para explorar temas de identidade e raízes através de uma performance visualmente orgânica e musicalmente envolvente.
A identidade mineira como fio condutor da apresentação
O show manteve uma pegada intimista e autêntica, refletida tanto na seleção musical quanto na estética visual. A artista utilizou instrumentos como rabeca, violões e percussões soltas, além de roupas e elementos que pareciam confeccionados manualmente, reforçando a autenticidade do conceito.
Um dos momentos centrais da noite ocorreu quando Marina utilizou um trecho do poema "Desentoado", do Grupo Raízes, como interlúdio do show: "Eu sou fruta do Norte / No curral, sou boi de corte / Sou água de enxurrada, pau preto no pé da serra". Essa narrativa estabelecia a conexão entre a artista e seu lugar de origem, criando uma experiência imersiva para o público.
Momentos marcantes e apresentações inesquecíveis
A performance incluiu momentos especialmente teatrais, como a interpretação de "Ouro de Tolo", durante a qual Marina declamava um poema enquanto interagia com um boneco de pano artesanal. O clímax dessa apresentação ocorreu quando a artista literalmente destruía o boneco, em um gesto que convidava à interpretação livre sobre o encerramento de relacionamentos.
Dada sua situação pessoal recente de término de um relacionamento, o momento adquiriu uma dimensão emocional adicional, tornando-se um ponto de confluência entre arte e vida pessoal que transcendia a simples performance musical.
Colaborações e convidadas no palco
Marina Sena contou com participações estratégicas que enriqueceram a experiência musical. Luiz Lozano, integrante do grupo venezuelano Çantamarta, acompanhou-a na interpretação de "Doçura", trazendo uma dimensão internacional ao show. A cantora paulista Céu também marcou presença, realizando duetos em "Varanda Suspensa" e "Malemolência", sendo esta última especialmente memorável pela harmonia entre seus timbres vocais distintos.
Apesar da qualidade artística da colaboração com Céu, sua participação foi relativamente breve, e questões técnicas de som limitaram o impacto desta seção, deixando o público em certo desconforto durante esses momentos.
Do conceitual aos grandes sucessos
Conforme avançava a noite, o show evoluía de apresentações mais conceituais para sequências de maiores sucessos populares. Faixas como "Por Supuesto", "Voltei Pra Mim" e "Lua Cheia" geraram reações entusiasmadas do público, compensando as limitações técnicas e climáticas da noite.
O encerramento do espetáculo foi particularmente impactante, com a sequência final "Carnaval" e "Desmitificar". Durante estas músicas, Marina criava momentos de alta tensão dramática, revirando os olhos e assumindo uma presença quase hipnotizante no palco. Seu grito "Quero ver todo mundo transcendendo nessa p*rra" encapsulava o objetivo geral da apresentação.
A mística brasileira no palco pop
O show de Marina Sena no Rock in Rio 2026 consolidou sua capacidade de fusionar elementos místicos e autênticos da cultura brasileira com uma linguagem pop contemporânea. Sem renunciar a nenhum dos aspectos que a definem artisticamente, ela demonstrou domínio tanto sobre sua própria narrativa quanto sobre a capacidade de hipnotizar uma plateia diversificada.
Apesar das condições climáticas desafiadoras de uma noite chuvosa e fria no Rio de Janeiro—pouco representativa do clima tropical de seu estado natal—Marina Sena conseguiu criar um calor emocional que aquecia o público e reafirmava sua posição como uma das artistas mais originais da música brasileira contemporânea.