Mendonça ordena apreensão de passaporte de publicitário investigado
Ministro do STF André Mendonça determina apreensão de passaporte de publicitário ligado ao caso Banco Master. Investigação apura contratação de influencers.

Ministro do STF autoriza apreensão de documento de publicitário envolvido em fraude
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou no último sábado a apreensão de passaporte do publicitário Thiago Miranda, profissional ligado ao proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro. A apreensão de passaporte representa uma medida de restrição importante no processo investigativo que envolve o caso de fraude bancária que ganhou repercussão nacional.
A decisão foi oficialmente confirmada pela assessoria do Supremo Tribunal Federal. Conforme documentação disponível, o despacho permanece sob sigilo, embora tenha sido divulgada a informação sobre a medida cautelar. Mendonça atua como relator de todas as ações relacionadas à fraude do Banco Master tramitando no tribunal máximo do país.
Contexto da Operação Compliance Zero
Miranda figurou como alvo principal na décima fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quinta-feira anterior. Os investigadores suspeita que o publicitário orquestrou ações coordenadas em plataformas digitais com o objetivo específico de prejudicar a reputação e a credibilidade do Banco Central do Brasil.
A operação ampliou o escopo das investigações conduzidas pela Polícia Federal, que trabalha para desvendar a atuação de possível organização criminosa. Conforme apurações, este grupo teria se dedicado à intimidação sistemática de profissionais da imprensa, ao monitoramento de pessoas próximas a autoridades públicas e à obtenção ilegal de informações classificadas como sigilosas.
Quem é Thiago Miranda e sua atuação investigada
Thiago Miranda é proprietário da Miranda Comunicação, empresa também conhecida no mercado como Agência MiThi. Nas redes sociais e em plataformas digitais, o publicitário apresenta-se como criador e sócio participante do portal de notícias Léo Dias, veículo de grande circulação na internet.
A Polícia Federal investiga Miranda por suspeita de ter contratado criadores de conteúdo digital e influencers para realizar defesa coordenada do Banco Master, simultaneamente atacando a instituição do Banco Central durante o processo que resultou na liquidação da instituição financeira envolvida. Este esquema, segundo apurações, teria funcionado de forma sistematizada e organizada.
Depoimento e negações do publicitário
Em depoimento prestado à Polícia Federal durante o mês de março, Miranda negou categoricamente ter realizado contratações de influencers para ataques contra autoridades ou órgãos federais. O publicitário argumentou que os trabalhos desenvolvidos tinham como propósito exclusivo a "reconstrução reputacional da imagem" do proprietário do Banco Master.
Contudo, em janeiro daquele ano, a reportagem revelou detalhes do esquema de contratação de criadores de conteúdo. Um profissional de produção de conteúdo digital baseado em São Paulo, sob condição de anonimato, declarou ter recebido remuneração de R$ 7,8 mil por uma publicação única contendo críticas direcionadas ao Banco Central, compartilhada durante dezembro.
Valores pagos aos influencers
Conforme relato do influencer, o pagamento foi transferido diretamente pela empresa de Thiago Miranda. Após essa primeira publicação remunerada, o criador de conteúdo recusou proposta subsequente de contrato com duração de três meses para continuidade da divulgação de conteúdos similares. O contrato oferecido previa produção de oito vídeos mensais e compensação de R$ 188 mil ao término do período, considerando descontos de comissão aplicáveis.
Detalhes da décima fase investigativa
De acordo com informações da Polícia Federal, estão sendo executados dois mandados de busca e apreensão em Brasília, ambos determinados pelo Supremo Tribunal Federal. A decisão do ministro André Mendonça, atuando como relator do inquérito sobre o caso Master na corte suprema, aponta Miranda como articulador principal do esquema criminoso investigado.
O objetivo declarado da organização seria descredibilizar órgãos públicos federais, atacar sistematicamente a atuação do Banco Central e manipular a percepção pública através de campanhas coordenadas em meios digitais. Segundo as apurações conduzidas por investigadores, o grupo utilizava informações obtidas através de meios ilícitos, incluindo quebra de sigilo telefônico e bancário, além de acessos indevidos a dados financeiros, cadastrais e informações de familiares de jornalistas e concorrentes.
Medidas autorizadas pela corte
Na decisão do ministro, foram autorizadas a apreensão de documentos em formato físico e eletrônico, dispositivos de armazenamento de dados, mídias diversas, além de bens de elevado valor e numerário em espécie acima de R$ 20 mil. Os policiais também investigam possíveis medidas adotadas para interferência direta em investigações criminais em curso.
Crimes potencialmente configurados
Conforme a Polícia Federal, os fatos investigados podem configurar, em teoria, diversos tipos de infrações penais. Entre eles constam crime contra o sistema financeiro nacional, formação e operação de organização criminosa, e embaraço à investigação de organização criminosa. Além disso, há suspeita de possíveis violações de dados e de dispositivos informáticos, bem como outros delitos complementares que possam ser identificados ao longo das investigações.