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Miami atrai ultrarricos e supera Nova York em custo de vida

Descubra por que Miami virou destino dos ultramilionários nos EUA e superou Nova York em custo de vida. Conheça os imóveis mais caros.

Miami atrai ultrarricos e supera Nova York em custo de vida
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Miami: O novo reduto dos ultramil hões americanos

Miami transformou-se em um dos destinos mais cobiçados pelos ultrarricos nos Estados Unidos, consolidando sua posição como capital mundial do luxo imobiliário. A cidade da Flórida não apenas atraiu grandes fortunas, mas também superou a tradicional Nova York em termos de custo de vida, refletindo o crescimento exponencial dos preços de propriedades e serviços na região.

Em março de 2024, Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, adquiriu o imóvel mais caro já vendido em Miami, pagando US$ 170 milhões (aproximadamente R$ 872 milhões) por uma mansão em construção com quase 2,8 mil metros quadrados, localizada na exclusiva ilha particular de Indian Creek. No entanto, este recorde pode ser superado em breve pela residência do corretor de títulos mobiliários John Daveney, em Key Biscayne, que está à venda por US$ 237 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão).

Os fatores por trás da ascensão de Miami

A ascensão de Miami como epicentro dos ultrarricos não foi coincidência. Segundo E. B. Solomont, jornalista especializado em mercado imobiliário residencial do jornal The Wall Street Journal, "existe uma grande quantidade de pessoas de alta renda que se mudaram para a Flórida, em busca dos benefícios oferecidos pela vida em Miami". A cidade oferece criminalidade baixa, clima agradável, comunidades exclusivas e, principal diferencial, ausência de impostos estaduais.

Mayi De la Vega, fundadora da One Sotheby's International Realty, uma das principais corretoras de ultraluxo do sul da Flórida, enumera os benefícios: "A criminalidade é baixa, o clima é ótimo, há belas comunidades e não existem impostos estaduais". Este último ponto constitui um atrativo irresistível para bilionários que desejam otimizar sua carga tributária.

O efeito pandemia e a migração de bilionários

A pandemia de COVID-19 marcou um ponto de inflexão crucial para Miami. Enquanto estados como Nova York, Califórnia e Illinois implementavam restrições severas, a Flórida, sob a liderança do governador republicano Ron DeSantis, reabre escolas, bares e restaurantes, eliminando obrigatoriedade de máscaras e restrições de mobilidade. Essas medidas, apesar das críticas, transformaram a Flórida em destino ideal para pessoas de alta renda.

"Mas foi durante a pandemia de covid-19 que os americanos perceberam que a Flórida estava aberta para os negócios", explica Solomont. "Somando-se a isso o fato de que a Flórida é um paraíso fiscal, Miami se tornou imensamente popular, não apenas pelo local e pelo estilo de vida, mas devido a este grande incentivo tributário".

A lista de figuras proeminentes que migraram para Miami inclui Jeff Bezos, fundador da Amazon; Larry Page e Sergei Brin, criadores do Google; e Ivanka Trump com seu marido Jared Kushner. Pioneiros como Peter Thiel, cofundador do PayPal, e Ken Griffin, criador do fundo de investimentos Citadel, iniciaram um fenômeno acumulativo que atraiu ainda mais bilionários.

O efeito rebanho e a explosão dos preços

De la Vega descreve um fenômeno psicológico que impulsionou o mercado: "Em parte, isso tem relação com a moda. São pessoas que dizem 'esta pessoa tem o mesmo dinheiro que eu e comprou ali, será que eu também devo comprar ali?'" Esta dinâmica multiplicou as ofertas no segmento de ultraluxo, elevando exponencialmente os preços de propriedades de alto padrão.

O mercado imobiliário de Miami entrou "em uma nova era dos 'imóveis troféus'", segundo De la Vega. "Se analisarmos 2025, nosso último ano completo, tivemos vendas no valor de mais de US$ 517 milhões [cerca de R$ 2,7 bilhões], todas de imóveis de mais de US$ 60 milhões". Este volume de transações revela um mercado que continua expandindo seus limites.

Indian Creek: O "bunker" dos multimilionários

Indian Creek representa o ápice da exclusividade em Miami. Apesar de ser pouco maior que o Central Park em Nova York, esta ilha particular funciona como uma cidade-estado, possuindo seu próprio prefeito e policiamento dedicado. O acesso ocorre por uma discreta ponte branca vigiada por guaritas de segurança.

"A pergunta é 'por que Indian Creek?'", indaga De la Vega. "Porque, como se trata de uma ilha particular, ela tem muitas comodidades, lotes grandes e está rodeada de água, o que faz dela um paraíso para os proprietários de barcos, além de ter uma segurança incrível". Indian Creek abriga as mansões de Zuckerberg, Bezos e Ivanka Trump, com terrenos sendo vendidos por aproximadamente US$ 200 milhões.

Outras regiões de ultraluxo em Miami

O mercado de ultraluxo não se concentra apenas em Indian Creek. North Bay Road, uma via de aproximadamente 6,5 quilômetros em Miami Beach, alberga residências de celebridades como Shakira, David e Victoria Beckham. Segundo o The Wall Street Journal, North Bay Road possui cerca de US$ 1,7 bilhão (R$ 8,7 bilhões) em propriedades, transformando-a na rua com maior valor patrimonial dos Estados Unidos.

Imóveis de mais de US$ 60 milhões também estão disponíveis em regiões mais tradicionais como Coconut Grove, Coral Gables e Key Biscayne, diversificando as opções para bilionários em busca de residências no sul da Flórida.

A propriedade de John Daveney: História de crescimento exponencial

A residência de Daveney, avaliada em US$ 237 milhões, ilustra perfeitamente o crescimento explosivo dos preços imobiliários em Miami. Em 2003, Daveney adquiriu os terrenos que compõem seu imóvel atual pagando US$ 15 milhões por lote - um preço que Mayi De la Vega descreve como "normal em Miami antes da pandemia". Naquele período, propriedades comparáveis, como a de Shaquille O'Neill em Star Island, eram comercializadas por US$ 16 ou US$ 18 milhões.

A propriedade de Daveney destaca-se por seu imponente heliporto de aproximadamente 1 mil metros quadrados estendido sobre a água, que anteriormente serviu ao ex-presidente americano Richard Nixon.

O papel da desigualdade no mercado de ultraluxo

Uma causa fundamental para o aumento desmedido dos preços é a concentração extraordinária de riqueza nos estratos mais altos da população. De acordo com o "Índice da Desigualdade", desenvolvido por economistas da Universidade da Califórnia em Berkeley e da Escola de Economia de Paris, o patrimônio do 0,1% mais abastado multiplicou-se por quase 13 vezes nos últimos 50 anos. Este estudo classifica como integrante do 0,1% pessoas com patrimônio superior a US$ 43 milhões.

"Para você e para mim, pagar US$ 1 milhão por um imóvel pode ser inconcebível. Para outros, pagar US$ 10 milhões seria um exagero", explica Solomont. "Mas, quando você tem bilhões na sua conta, comprar um imóvel de US$ 60 milhões pode não ser algo excepcional. Muitos pagam em dinheiro vivo".

Impacto no custo de vida geral de Miami

A explosão do mercado de ultraluxo em Miami repercute diretamente nos preços enfrentados pela população comum. Conforme dados de 2024 do Escritório de Estatísticas dos Estados Unidos, a região de Miami, Fort Lauderdale e Palm Beach superou Nova York em termos de custo de vida nacional. A Costa Dourada (Gold Coast) apresenta custo de vida aproximadamente 5% mais elevado que a área metropolitana de Nova York e seus subúrbios.

Os preços ao consumidor no sul da Flórida aumentaram 36% desde 2019, segundo o Escritório de Estatísticas Trabalhistas dos Estados Unidos. Dados da emissora Fox Business revelam que os preços de moradia dispararam 79% desde a pandemia, enquanto o prêmio médio anual de seguro residencial da região é o mais alto do país.

Êxodo e perspectivas futuras

Paradoxalmente, após o pico de migração durante a pandemia, o sul da Flórida vem perdendo habitantes nos últimos anos. O crescimento extraordinário de preços tornou a região inacessível para grande parte da população, provocando êxodo de famílias de classe média.

O futuro do mercado de ultraluxo em Miami permanece incerto. "De certa forma, as pessoas querem saber se existe uma bolha. É realista pagar US$ 75 milhões por uma casa perto da água?", questiona Solomont. Ainda assim, o volume contínuo de transações bilionárias sugere que o mercado de ultraluxo mantém trajetória de expansão, ainda que enfrente questionamentos sobre sua sustentabilidade a longo prazo.

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