PJ Morton encanta no Sunset com gospel, soul e R&B
PJ Morton leva show solo ao Rock in Rio 2026 no Palco Sunset, misturando gospel, soul e R&B. Confira a apresentação do tecladista do Maroon 5.

PJ Morton apresenta show memorável no Rock in Rio 2026
O tecladista e produtor norte-americano PJ Morton realizou apresentação significativa nesta sexta-feira (11) no Palco Sunset do Rock in Rio 2026, levando sua turnê "Saturday Night Sunday Morning" ao palco do festival carioca. Seu show solo no Palco Sunset marcou a primeira de duas presenças confirmadas do artista no evento, antes de retornar no sábado (12) para se apresentar com o Maroon 5 no Palco Mundo.
Um público reduzido mas engajado com a música
A performance de PJ Morton contou com plateia modesta, cenário influenciado pela presença dominante de artistas de k-pop naquela data, que atraíram predominantemente público adolescente. Apesar da menor afluência, o público presente demonstrou genuíno interesse na apresentação, mantendo engajamento consistente durante todo o espetáculo, diferenciando-se do padrão observado em outras apresentações do festival onde conversas paralelas predominam.
O artista estabeleceu conexão autêntica com os presentes, expressando gratidão pela oportunidade, interagindo proximamente com espectadores nos momentos em que se afastava do piano, e solicitando participação do público em trechos específicos das músicas.
Repertório que celebra a carreira premiada
A apresentação de PJ Morton incluiu setlist de 13 faixas que traçou panorama de sua trajetória musical, com destaque especial para o álbum "Gumbo" (2017), considerado um dos mais relevantes de sua carreira. O show abriu com "Mutual" e "My Peace", esta última contendo sample do clássico "SpottieOttieDopalicious" do OutKast, seguidas por "Good Morning" e "Ready".
Momentos marcantes incluíram "Sticking to my guns", em que o artista ensinou plateia a cantar refrão, e "Everything's Gonna Be Alright", solicitando participação vocal coletiva. "First Began" e "Claustrophobic" figuraram entre destaques, esta última abordando pressões enfrentadas por artistas na indústria musical e refletindo decisão pessoal de PJ Morton em manter autenticidade evitando rótulos impostos por gravadoras.
Influências gospel e soul na trajetória artística
Filho de pastor, PJ Morton estabeleceu fundações musicais no universo gospel, influência que permeia seu trabalho independente da afiliação ao Maroon 5. Ao longo de sua carreira, desenvolveu admiração por ícones como Stevie Wonder, Donny Hathaway, Al Green e Marvin Gaye, artistas que moldaram sua abordagem musical caracterizada pela fusão entre gospel, soul e R&B.
Seu primeiro álbum foi lançado em 2005, quando contava 23 anos de idade. O álbum duplo "Saturday Night / Sunday Morning", que nomeia a turnê apresentada no Rock in Rio, divide-se em duas vertentes temáticas: "Saturday Night" dedicado ao R&B e soul com abordagem dançante, enquanto "Sunday Morning" retoma raízes gospel, referenciando tradicionalmente o horário em que músicos atuam em cultos religiosos.
Contribuições e reconhecimento no Maroon 5
PJ Morton integra o Maroon 5 desde 2010 no cargo de tecladista, participação que rendeu inclusive convite após teste impressionante que substituiu necessidade de avaliar candidatos concorrentes. Apesar de 16 anos vinculado à banda, parcela significativa do público ainda desconhece sua atuação no grupo, evidência que reforça marca individual consolidada pelo artista na indústria musical.
Encerramento memorável com clássico dos Bee Gees
O show de PJ Morton no Rock in Rio 2026 encerrou com sua interpretação premiada de "How Deep Is Your Love" dos Bee Gees, versão que contribuiu para um dos seis prêmios Grammy conquistados pelo artista ao longo de sua carreira. Faixa ausente da apresentação foi "Be Like Water", colaboração com Stevie Wonder, artista que PJ Morton identifica como referência musical fundamental e por quem nutre admiração profunda.
A mensagem implícita da música ausente – aceitar circunstâncias adversas e permitir que situações fluam naturalmente – serviu como metáfora subliminar da performance em si, onde o artista não pôde contrariar a reduzida afluência de público mas manteve qualidade técnica e musicalidade impecável do início ao término do espetáculo.
Legado artístico e autenticidade musical
A trajetória de PJ Morton exemplifica compromisso com autenticidade musical e recusa em conformar-se a categorias comerciais impostas pela indústria fonográfica. Sua capacidade de mesclar gospel, soul e R&B em apresentações coesas demonstra versatilidade e maestria instrumental, qualidades que poderiam ter alcançado maior reconhecimento em contexto de festival com demografia etária mais diversificada e predominância de público adulto apreciador de músicas com complexidade harmônica e narrativa lírica substantiva.