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Política

Quaest identifica movimento de voto útil direcionado a Flávio Bolsonaro

Pesquisa Quaest revela fenômeno de voto útil de direita a favor de Flávio Bolsonaro, com candidato empatando com Lula em intenções de voto. Análise completa.

Dinâmica de Voto Útil Favorece Flávio Bolsonaro

A mais recente divulgação da pesquisa Quaest revelou um fenômeno significativo de voto útil de direita concentrado em Flávio Bolsonaro, conforme análise apresentada por Felipe Nunes, diretor da consultoria e professor na Fundação Getúlio Vargas (FGV). O levantamento, realizado na véspera do primeiro turno, captou movimentos estratégicos de eleitores migrando de outras candidaturas conservadoras.

Segundo Nunes, esse comportamento eleitoral representa uma concentração deliberada de forças políticas. "É verdade que Lula até oscila um ponto, mas o movimento que a gente captura é um movimento de voto útil de direita", declarou o pesquisador à Central das Eleições, da GloboNews, destacando a intensidade dessa tendência.

Números da Pesquisa Quaest

Os dados coletados entre 2 e 3 de outubro apresentaram um cenário de competitividade extrema. Considerando votos válidos, Lula (PT) alcançou 46% contra 45% de Flávio Bolsonaro (PL), configurando empate técnico. No cômputo geral de votos totais, a progressão foi ainda mais expressiva para o candidato de direita: Lula subiu de 39% para 40%, enquanto Flávio avançou significativamente de 34% para 38%.

A pesquisa ouviu 3.702 eleitores maiores de 16 anos, mantendo margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento recebeu encomenda da Globo e do jornal O Globo, sendo registrado na Justiça Eleitoral sob número BR-02197/2026.

Reservoir de Votos à Direita

A análise de Felipe Nunes explicita como candidaturas menores funcionaram como verdadeiros reservatórios eleitorais durante o primeiro turno. "É como se elas tivessem funcionado durante esse primeiro turno como uma caixa d'água de votos, um reservatório de votos à espera desses movimentos", afirmou o diretor da Quaest.

Esse mecanismo fica evidente nas taxas de transferência potencial entre candidatos. Dos eleitores de Renan Santos (Missão), 60% afirmaram que votariam em Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno contra Lula. Entre os apoiadores de Ronaldo Caiado (PSD), essa proporção era de 43%, enquanto entre eleitores de Augusto Cury (Avante) chegava a 34%.

Consolidação da Candidatura de Flávio

O fenômeno de concentração reflete a consolidação de Flávio Bolsonaro como alternativa competitiva à esquerda. Essa dinâmica permitiu que candidaturas com menor potencial de crescimento funcionassem estrategicamente como intermediárias, transferindo votos quando percebia-se maior viabilidade em alternativa conservadora.

Perspectivas para o Dia da Votação

Segundo Felipe Nunes, a migração de eleitores poderia prosseguir e intensificar-se no próprio dia do primeiro turno. O diretor da Quaest afirmou que novo fluxo de votos das demais candidaturas poderia posicionar Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula nas urnas.

"Então o eleitor está se decidindo e eu não me surpreenderia se a gente visse esse movimento se intensificando amanhã, porque o movimento de voto útil da direita agora ele é, eu diria, muito decisivo. Ele é muito forte, né? Eu acho que há elementos para dizer, inclusive, que amanhã nas urnas a gente pode ver um movimento de Flávio, inclusive à frente de Lula", disse Nunes, indicando potencial alteração da ordem entre candidatos.

Estabilidade dos Eleitores Principais

Apesar dessa fluidez entre votos periféricos, Nunes observou que a base eleitoral de Lula e Flávio permanecia relativamente estável. Entre apoiadores de Lula, 92% afirmavam ter decisão definitiva pelo voto no primeiro turno, enquanto entre os de Flávio esse percentual alcançava 89%, indicando consolidação da preferência primária.

Cenário de Dois Turnos

Embora reconhecesse o potencial dinâmico do voto útil de direita, o diretor da Quaest manteve expectativa de disputa em dois turnos. Fundamentou essa avaliação no volume de eleitores de candidaturas alternativas que afirmavam ter decisão consolidada.

Entre os apoiadores de Ronaldo Caiado (PSD), 75% disseram ter escolha definitiva. Entre os de Augusto Cury (Avante), esse índice era 68%, e entre eleitores de Renan Santos (Missão), 66%. Esses patamares sustentavam a viabilidade de segundo turno mesmo com redistribuição de votos.

Distribuição Completa de Intenções de Voto

O levantamento revelou a seguinte configuração geral de preferências eleitorais em votos totais:

Lula (PT) apresentou 40%, evoluindo de 39% na rodada anterior. Flávio Bolsonaro (PL) alcançou 38%, com avanço significativo de 34%. Ronaldo Caiado (PSD) permanecia em 3%, reduzindo de 4%. Augusto Cury (Avante) também ficou em 3%, anterior 4%. Renan Santos (Missão) manteve-se em 3%. Eleitores indecisos somaram 3%, contra 5% da pesquisa anterior. Abstenções e votos brancos ou nulos totalizaram 10%, mantendo estabilidade.

Implicações Políticas do Voto Útil

O fenômeno de voto útil concentrado em Flávio Bolsonaro revela dinâmica importante sobre comportamento eleitoral estratégico. Quando eleitores percebem que seu candidato preferido possui viabilidade reduzida, migram para alternativa mais próxima ideologicamente que apresenta melhores perspectivas.

Essa mecânica evidencia que disputas eleitorais não se resumem a preferências puramente ideológicas, mas envolvem cálculos racionais sobre viabilidade e impacto do voto. A pesquisa Quaest documentou precisamente esse processo em andamento, capturando momento de transição eleitoral antes da votação concretizar-se.

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