TSE julga 28 ações em sessão virtual de 24 horas
Sessão virtual do TSE analisará 28 decisões sobre propaganda eleitoral em plenário. Ministro Nunes Marques convoca julgamento extraordinário com prazo de 24 hor...

Sessão Virtual do TSE em Prazo Reduzido
O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), convocou uma sessão virtual extraordinária para que os sete integrantes da corte apreciem, em plenário, 28 decisões individuais relacionadas a casos de propaganda eleitoral. A sessão virtual ocorrerá em um único dia, com os magistrados tendo apenas 24 horas para depositar seus votos.
O período estabelecido para a votação na sessão virtual compreende todo o dia 25 de julho, das 0h às 23h59. Os ministros deverão se pronunciar sobre liminares que foram expedidas pelos três juízes auxiliares responsáveis pelas questões eleitorais de 2026. Além do próprio Nunes Marques, integram esse grupo o vice-presidente André Mendonça e a ministra Estela Aranha.
Características do Procedimento Adotado
Em situações convencionais, as liminares concedidas por juízes auxiliares somente necessitam ser referendadas pelo plenário quando ocorre recurso da parte que saiu vencida na decisão. Contudo, o presidente da corte possui a prerrogativa de, mediante ato unilateral, encaminhar as decisões individuais para apreciação coletiva pelos demais ministros. Nunes Marques utilizou essa competência para convocar a presente sessão virtual.
A concentração de 28 ações em um intervalo de 24 horas representa uma estratégia para agilizar o julgamento de questões relacionadas à propaganda eleitoral negativa, tema que tem gerado crescente volume de demandas junto à Justiça Eleitoral.
Preocupações Internas sobre a Medida
Dentro do TSE, nem todos os ministros concordam que a sessão virtual será plenamente eficaz. Membros da corte entrevistados por fontes jornalísticas manifestaram inquietação quanto ao volume esperado de processos nas eleições de 2026 e quanto aos prazos disponíveis para análise. Alguns magistrados apontaram que nem todos os integrantes do tribunal possuem disponibilidade para examinar caso a caso cada uma das demandas que chegam.
Há também preocupação entre os ministros acerca da tendência de judicialização das eleições de 2026, fenômeno que pode resultar em aumento significativo do número de representações sobre propaganda eleitoral.
Limitações da Análise em Bloco
De acordo com ministros do TSE, a análise em bloco realizada na sessão virtual pode produzir apenas a confirmação dos votos que foram previamente proferidos pelos colegas. Isso ocorre porque, nesses casos, os magistrados frequentemente têm acesso unicamente aos argumentos apresentados por quem ajuizou a representação inicial.
Além disso, seria improvável que um ministro alterasse sua posição após a análise de um recurso apresentado posteriormente. A estrutura da sessão virtual pode, portanto, resultar em homologação de decisões já tomadas, sem contribuir significativamente para a análise aprofundada das questões.
Casos em Apreciação
Entre as liminares que serão submetidas à apreciação dos ministros na sessão virtual encontra-se decisão proferida pela ministra Estela Aranha em 22 de junho. A magistrada acolheu representação apresentada pelo Partido Liberal (PL) e determinou a remoção imediata de conteúdos publicados em plataformas de redes sociais que realizavam associação do senador Flávio Bolsonaro à operação de polícia federal denominada "Carne e Unha", bem como ao crime organizado e a organização criminosa. A medida afetou diretamente os integrantes do governo Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias e Guilherme Boulos.
Outro caso a ser referendado pela sessão virtual diz respeito a declarações proferidas pelo ministro da Economia, Dario Durigan, acerca de movimento que teria sido empreendido pela família Bolsonaro contrário ao sistema Pix, e por pronunciamento do presidente Lula, que mencionou questões relacionadas a bolsonaristas e ao ex-presidente Trump em relação ao Pix brasileiro. A representação foi ajuizada pelo PL, que alegava inveracidade das informações e coordenação nas declarações, solicitando reiteração delas. O ministro Nunes Marques, designado como relator, rejeitou a solicitação. Em sua fundamentação, ressaltou que a Justiça Eleitoral deve exercer sua atuação com "mínima intervenção" nos debates políticos.
Diferenciação de Casos
Ações que já estavam submetidas à análise do plenário do TSE, tal como a representação ajuizada pelo PL contra a AtlasIntel, não fazem parte do bloco em análise pela sessão virtual. Isso se deve ao fato de que o julgamento desses casos já teve início. No caso específico mencionado, a sessão foi interrompida após o requerimento de vista da ministra Estela Aranha. O ministro Nunes Marques, relator da ação, registrou seu voto pela suspensão da divulgação da pesquisa em questão.
A pesquisa realizada pela AtlasIntel, em maio, indicou redução de cinco pontos nas intenções de voto do pré-candidato Flávio Bolsonaro. A divulgação do levantamento ocorreu após exposição de áudio de conversa em que o senador solicitava recursos financeiros ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, destinados a produção de filme sobre Jair Bolsonaro.
Para o ministro Nunes Marques, existem evidências de que houve indução para contaminação das respostas fornecidas na pesquisa, comprometendo a qualidade da metodologia empregada. Essa avaliação fundamentou seu voto pela suspensão da divulgação dos resultados da pesquisa até que a matéria seja submetida ao julgamento completo pelo plenário do tribunal.