Cineastas brasileiros publicam manifesto sobre eleições
Wagner Moura, Fernando Meirelles e Petra Costa assinam carta aberta de profissionais do cinema brasileiro pedindo escrutínio internacional das eleições.

Profissionais do cinema brasileiro divulgam manifesto sobre o processo eleitoral
Um grupo de cineastas brasileiros, incluindo Wagner Moura, Fernando Meirelles e Petra Costa, assinou uma carta aberta na qual manifesta preocupação com o cenário político do país. O documento, que conta com adesão de membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, foi divulgado pela revista Variety e solicita "atenção internacional rigorosa" para o segundo turno da eleição presidencial brasileira.
A carta aberta cinema brasileiro representa uma manifestação conjunta de reconhecidos profissionais do audiovisual nacional. Entre os signatários encontram-se também nomes como Sônia Braga, Anna Muylaert, Gabriel Mascaro, Karim Ainouz e Rodrigo Teixeira, produtor do filme "Ainda Estou Aqui".
Preocupações com a democracia e interferência externa
No documento, os profissionais da sétima arte relatam observações sobre "sinais preocupantes de desrespeito às normas democráticas, incluindo alegações de possível interferência estrangeira no Brasil que exigem investigação transparente e escrutínio internacional". O texto enfatiza que a diferença entre os dois candidatos no primeiro turno foi de apenas 1,87 ponto percentual, evidenciando uma nação profundamente dividida.
Wagner Moura, Fernando Meirelles e os demais signatários mencionar na carta aberta cinema brasileiro questões relacionadas a programas de interferência eleitoral. Conforme relatado no documento, o jornal The Guardian noticiou que o governo dos Estados Unidos destinou cerca de US$ 1 milhão, provenientes de um fundo de direitos humanos do Departamento de Estado, para um programa denominado "Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil".
Distorções em plataformas digitais e investigações
Os cineastas alertam também sobre possíveis distorções no alcance de conteúdo político nas plataformas da Meta. Conforme mencionado na carta aberta cinema brasileiro, observadores da mídia levantaram preocupações sobre as contas no Instagram do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teriam sofrido quedas de alcance, dificuldades de acesso e visibilidade nos resultados de busca, além da impossibilidade de promover postagens por meio de publicidade paga.
O manifesto faz referência também a um site sediado nos Estados Unidos que promovia a compra de anúncios em apoio ao candidato Flávio Bolsonaro em troca de tokens de criptomoedas, sob a alegação de ajudar crianças carentes em Uganda. A Polícia Federal brasileira investe suspeitas de pagamentos em dinheiro a eleitores em áreas rurais.
Questões constitucionais e segurança democrática
Na carta aberta cinema brasileiro, os profissionais abordam propostas específicas do candidato Flávio Bolsonaro, incluindo sua promessa de reescrever a Constituição de 1988. Segundo o documento, uma nova constituição seria redigida por um Congresso dominado por uma maioria de extrema-direita, o que constitui preocupação particular à luz da tentativa de golpe atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Wagner Moura, Fernando Meirelles e os demais signatários destacam que a trama de golpe incluía planos para assassinar o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu vice-presidente Geraldo Alckmin. O ex-presidente encontra-se preso em conexão com esse caso, enquanto seu filho prometeu conceder-lhe anistia como primeiro ato em seu possível governo.
Impactos na indústria audiovisual brasileira
A carta aberta cinema brasileiro expressa preocupações específicas relacionadas aos setores cultural e audiovisual. Durante a gestão anterior do ex-presidente Jair Bolsonaro, a indústria audiovisual sofreu com o fechamento do Ministério da Cultura, a suspensão do Fundo Setorial do Audiovisual e o enfraquecimento de instituições culturais.
Os signatários temem um retorno a esse cenário. Conforme consta na carta aberta cinema brasileiro, "proteger a liberdade de expressão e garantir a sustentabilidade a longo prazo da indústria audiovisual brasileira são ações indissociáveis da defesa da democracia". O documento também menciona o retorno do Brasil ao Mapa da Fome das Nações Unidas durante aquele período.
Questões humanitárias e responsabilidades internacionais
Wagner Moura, Fernando Meirelles e os demais cineastas mencionam na carta aberta cinema brasileiro uma denúncia apresentada ao Tribunal Penal Internacional em Haia contra Jair Bolsonaro. A denúncia relaciona-se às mais de 600 mil mortes por COVID-19 registradas no Brasil durante a pandemia, decorrentes de ações e omissões da sua gestão. Conforme sustenta a denúncia, mais da metade dessas mortes poderia ter sido evitada.
O documento também aborda preocupações sobre políticas de austeridade que o candidato promete implementar, inspiradas nas políticas do governo de Javier Milei na Argentina, políticas essas que poderiam impactar os gastos com seguridade social.
Chamada para ação internacional
Na conclusão da carta aberta cinema brasileiro, os profissionais do audiovisual enfatizam que os acontecimentos no país devem ser encarados como parte de um padrão mais amplo de suposta interferência eleitoral em toda a América Latina. O documento convoca a imprensa internacional a cobrir o processo eleitoral com rigor, a comunidade audiovisual internacional a ampliar o debate e as instituições competentes a investigar as denúncias de forma independente.
Wagner Moura, Fernando Meirelles, Petra Costa e seus colegas assinantes da carta aberta cinema brasileiro reafirmam que a defesa da democracia brasileira deve contar não apenas com o povo brasileiro, por meio de eleições livres, justas e transparentes, mas também com a vigilância e o engajamento da comunidade internacional.