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EUA e Irã suspendem ataques e marcam negociações em Doha

EUA e Irã acordam cessar-fogo e retomam diálogos diplomáticos em Doha após intensos ataques militares no Golfo Pérsico

EUA e Irã suspendem ataques e marcam negociações em Doha
Fonte: g1.globo.com/mundo/noticia/2026/06/28/eua-e-ira-entram-em-acordo-para-interromper-ataques-e-retomar-dialogo-apos-acoes-militares.ghtml

Acordo entre EUA e Irã marca pausa nas hostilidades

Um acordo significativo foi anunciado neste domingo entre os EUA e Irã cessar-fogo, representando uma esperança de trégua após dias intensos de trocas militares no Golfo Pérsico. Segundo informações da agência Axios, ambos os países concordaram em interromper os ataques recentes e reiniciar as negociações diplomáticas que visam resolver a disputa envolvendo o Estratégico Estreito de Ormuz.

A decisão de suspender as operações militares surge como medida crucial para preservar um acordo de paz provisório que havia sido estabelecido em 17 de junho, mas que sofreu abalos graves ao longo das últimas semanas. A autoridade da Casa Branca confirmou o cessar-fogo à agência Reuters, marcando um ponto de inflexão nas relações tensas entre Washington e Teerã.

Reunião diplomática agendada para terça-feira

Conforme relatado pelo Axios, os representantes dos dois países se encontrarão na terça-feira (30) em Doha, no Catar, para continuar as conversas sobre os pontos essenciais do conflito. A cidade do Catar foi escolhida como local neutro para as negociações mediadas, que incluem participação do vice-presidente americano JD Vance e do presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf.

Este encontro segue uma rodada anterior realizada na Suíça há uma semana, quando os EUA suspenderam sanções contra o Irã como gesto de boa vontade diplomática. No entanto, os combates foram retomados e intensificados após esse encontro, demonstrando a fragilidade das negociações e a necessidade urgente de novo diálogo.

Escalada de ataques que precedeu o acordo

O ressurgimento da violência foi desencadeado quando um projétil iraniano atingiu um navio de carga no Estreito de Ormuz na quinta-feira (25). Tanto americanos quanto iranianos acusaram-se mutuamente de violar o cessar-fogo provisório que havia sido amplamente respeitado nos meses anteriores.

Neste domingo, logo após o presidente Donald Trump ameaçar eliminar a liderança iraniana caso não cumprissem o acordo, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã lançou uma série de mísseis e drones contra instalações militares dos EUA no Kuwait e no Bahrein. A operação representou um dos ataques mais significativos desde o início do conflito intenso.

Os mísseis iranianos visaram infraestruturas militares estratégicas, enquanto o Kuwait informou ter interceptado dois mísseis balísticos sem registrar danos ou vítimas. O Bahrein relatou que alarmes soaram duas vezes em seu território, com um ataque posterior danificando um edifício residencial na província de Muharraq sem deixar vítimas.

Resposta militar americana e preocupações

As forças armadas dos EUA haviam atacado o Irã horas antes, após um navio-tanque ser atingido no Estreito de Ormuz. Uma autoridade americana confirmou à Reuters que não houve relatos de baixas ou danos significativos às instalações dos EUA no Oriente Médio, embora a situação continuasse em desenvolvimento.

A escalada provocou reações internacionais preocupantes. O Bahrein instou o Conselho de Segurança da ONU a realizar uma sessão de emergência para responsabilizar o Irã pelos ataques. O Catar também relatou a morte de um de seus cidadãos ferido por estilhaços a bordo de uma embarcação que havia desaparecido no sábado.

Ameaças do presidente Trump

Antes da divulgação do acordo pelo Axios, o presidente Trump havia feito declarações contundentes nas redes sociais. "Pode chegar um momento em que não seremos mais capazes de agir com razoabilidade e seremos forçados a concluir militarmente a tarefa que iniciamos com tanto sucesso", afirmou.

Ele complementou com ameaça direta: "Se isso acontecer, a República Islâmica do Irã deixará de existir!" As declarações geraram tensão adicional antes do acordo ser anunciado, sugerindo que a diplomacia estava à beira do colapso total.

Contexto do conflito e acordo de paz

O acordo de paz provisório de 14 pontos foi inicialmente estabelecido com objetivo de interromper os combates que começaram em 28 de fevereiro, quando os EUA e Israel iniciaram operações militares. O pacto visava também reabrir o Estreito de Ormuz, uma das rotas de transporte de energia mais cruciais do planeta, que Teerã havia mantido amplamente fechada durante o conflito.

Questões como o programa nuclear iraniano permaneciam em discussão durante as negociações, representando pontos delicados nas conversas. A fragilidade do acordo ficou evidente quando o Irã cancelou conversas técnicas agendadas para este domingo, citando ataques recentes ao país e não cumprimento de condições específicas.

Preocupações iranianas sobre implementação

Um membro do Gabinete de Preservação e Publicação das Obras do Líder Supremo do Irã, Mehdi Fazaeili, explicou à televisão estatal as razões do cancelamento das conversas. "Uma das razões é verificar se temos acesso aos fundos descongelados; se não houver acesso, então essa condição não foi cumprida", afirmou Fazaeili.

A declaração revelou desconfiança iraniana quanto ao cumprimento dos compromissos americanos, particularmente sobre a libertação de recursos financeiros congelados. A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que os ataques dos EUA violaram o cessar-fogo e resultariam "na interrupção completa de todos os processos diplomáticos", segundo a emissora estatal Press TV.

Conflito paralelo com Israel e Líbano

Enquanto as tensões entre EUA e Irã escalavam, Israel continuava suas operações militares. No domingo, as autoridades israelenses afirmaram haver atacado novamente militantes do Hezbollah no Líbano, destruindo uma infraestrutura subterrânea utilizada pelo grupo em uma vila no sul do país.

A ação ocorreu após outro ataque no sábado (27), realizado logo após um acordo de cessar-fogo com o Líbano estabelecido na sexta-feira. O Irã havia condicionado a manutenção do acordo mais amplo ao término do conflito no Líbano, complicando ainda mais a situação regional.

Perspectivas para as negociações

O novo acordo e a reunião agendada para terça-feira em Doha representam uma oportunidade crítica para estabilizar a região. Ambos os lados demonstraram interesse em evitar uma escalada definitiva, mas as desconfiânças mútuas e as acusações de violação do cessar-fogo anterior permanecem como obstáculos significativos.

A diplomacia dependerá de compromissos concretos sobre questões não resolvidas, incluindo o acesso iraniano aos fundos descongelados, o programa nuclear e a segurança das rotas comerciais no Golfo. O sucesso dessa negociação pode determinar se a região conseguirá manter a paz ou se o conflito ressurgirá com ainda maior intensidade.

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