Exército nega possuir duas armas de Bolsonaro
Exército informa ao STF que entregou armas de Bolsonaro à PF. Duas do arsenal não estão sob posse militar. Saiba mais sobre o caso.

Exército afirma ter entregado armas de Bolsonaro à Polícia Federal
O Comando do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que realizou a entrega à Polícia Federal das armas de Bolsonaro que estavam sob sua custódia. Conforme informado pela corporação militar, duas das oito armas que a defesa do ex-presidente alegava estarem armazenadas na unidade não se encontram na posse do Exército.
A situação ganhou complexidade quando verificou-se que o número de série de uma dessas armas coincide com o mesmo registro de uma pistola pertencente a Bolsonaro que foi apreendida em operação de trânsito em Brasília, encontrada com um sargento do Exército responsável pela segurança do ex-presidente.
Paradeiro das armas em questão
Após análise realizada pela defesa de Bolsonaro, constatou-se que uma das duas armas não localizadas no Batalhão de Polícia do Exército está depositada em uma empresa importadora de artigos bélicos sediada no Rio Grande do Sul. Trata-se de uma espingarda que teria sido presenteada ao ex-presidente.
De acordo com a argumentação apresentada pelos advogados de Bolsonaro ao STF, referida arma nunca foi retirada das dependências da empresa importadora, o que explicaria sua permanência naquele estabelecimento comercial até o momento. A defesa solicitou que o ministro indicasse as providências necessárias para a retirada do armamento.
Quanto à segunda arma não localizada, identificada como uma Pistola Glock, o Comandante do Batalhão de Polícia do Exército confirmou que não se encontra armazenada no complexo da corporação, sem informar seu paradeiro exato.
Determinação judicial e histórico das armas
Na segunda-feira (6), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, expediu ordem para que oito armas de propriedade de Bolsonaro fossem entregues à Polícia Federal. Conforme comunicado pela defesa do ex-presidente na sexta-feira anterior, essas armas estariam sob guarda do Batalhão de Polícia do Exército.
A decisão judicial ocorreu no mesmo período em que Moraes mantinha Bolsonaro em regime de prisão domiciliar, tendo também determinado a entrega de dez armas ligadas ao ex-presidente. A defesa esclareceu que duas dessas dez armas já haviam sido entregues à Polícia Federal em abril de 2023, cumprindo determinação do Tribunal de Contas da União.
Relação completa do arsenal de Bolsonaro
Segundo a decisão do ministro Moraes, pelo menos dez armas estão vinculadas a Bolsonaro. As oito que a defesa afirmava estar armazenadas no Batalhão de Polícia do Exército incluem:
Pistola Forjas Taurus calibre .380 Automatic (uso permitido); Pistola Forjas Taurus calibre .40 Smith & Wesson (uso restrito); Pistola Glock calibre 9x19 COLOmm Parabellum (uso restrito); Carabina/Fuzil Springfield Armory calibre 7,62x51 mm (uso restrito); Espingarda Typhoon calibre 12 GA (uso restrito); Pistola Arex calibre 9x19 mm Parabellum (uso restrito); Pistola SIG-Sauer calibre 9x19 mm Parabellum (uso restrito); Espingarda Maestro Arms Company (uso permitido).
As outras duas armas de Bolsonaro, conforme informado pela defesa, encontram-se sob custódia da Polícia Federal: Carabina/Fuzil Caracal calibre 5,56x45 mm e Pistola Caracal calibre 9x19 mm Parabellum.
Contexto de apreensão em blitz
No mês passado, Estácio Leite da Silva Filho, sargento do Exército encarregado da segurança do ex-presidente, foi abordado em operação de trânsito realizada pela Polícia Militar em Taguatinga, no Distrito Federal, portando uma arma registrada em nome de Bolsonaro.
A Polícia Militar relatou que Estácio não possuía autorização do proprietário da arma para transitar com o armamento e que seu transporte violava exigências legais vigentes. A defesa de Bolsonaro reconheceu que o ex-presidente solicitou assistência a um militar do Gabinete de Segurança Institucional para reparar a arma de fogo.
Segundo documentação encaminhada ao STF, a equipe de segurança de Bolsonaro havia deliberadamente desativado o funcionamento da arma para evitar riscos em virtude das condições de saúde mental do ex-presidente. Estácio foi indiciado por porte ilegal de arma de fogo com agravante de ser militar do Exército.