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Senacon abre procedimento contra 99food por falta de transparência

Secretaria Nacional do Consumidor instaura processo administrativo contra 99food por descumprimento de regras de transparência de preços em transações.

Senacon abre procedimento contra 99food por falta de transparência
Fonte: g1.globo.com/economia/noticia/2026/06/23/secretaria-nacional-do-consumidor-abre-procedimento-para-apurar-falta-de-transparencia-de-precos-na-99food.ghtml

Secretaria Nacional do Consumidor abre ação contra 99food

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, iniciou na terça-feira (23) um procedimento administrativo contra a plataforma 99food por violação das normas de transparência de preços. A medida representa o terceiro processo instaurado pelo órgão contra aplicativos de entrega por motivo idêntico, reforçando o compromisso governamental com a proteção dos direitos do consumidor.

Obrigatoriedade de informações claras ao consumidor

Em março do ano em curso, a Senacon publicou uma portaria estabelecendo que as plataformas de delivery deveriam apresentar, em cada operação realizada, um quadro-resumo detalhando a composição dos valores cobrados. Essa regulamentação surgiu como resposta à necessidade de reduzir a assimetria informacional entre empresas e consumidores, permitindo que estes últimos tenham pleno conhecimento de para onde seu dinheiro está sendo direcionado.

A transparência de preços tornou-se obrigatória após avaliações da Senacon que identificaram práticas opacas em várias plataformas. O objetivo é que o consumidor visualize claramente quanto está pagando pela intermediação da plataforma, quanto vai para o entregador e quanto é destinado ao estabelecimento comercial.

Composição do valor a ser exibida

De acordo com os critérios estabelecidos pela Senacon, as informações devem ser apresentadas de maneira clara e em local facilmente acessível ao consumidor. Os seguintes itens são obrigatórios:

  • Preço total: valor integral pago pelo consumidor
  • Parcela da plataforma: montante retido pelo aplicativo pela função de intermediação
  • Parcela do motorista ou entregador: valor repassado ao profissional, incluindo gorjetas e adicionais
  • Parcela do estabelecimento: valor destinado ao restaurante, lanchonete ou comércio nos casos de delivery

Prazos e sanções aplicáveis

A 99food dispõe de vinte dias para apresentar sua resposta às acusações. Caso não atenda às determinações da portaria dentro deste período, a empresa estará exposta a multas que podem alcançar R$ 14 milhões, além de outras penalidades previstas no Código de Defesa do Consumidor.

O descumprimento das normas de transparência é caracterizado como infração grave à legislação de defesa do consumidor, podendo resultar em sanções que incluem multa e até suspensão temporária das operações da plataforma.

Posicionamento da 99food

Procurada para comentar a situação, a 99food manifestou que recebe com naturalidade a abertura do processo administrativo e reforçou seu compromisso com as práticas e regulamentações estabelecidas pelo Código de Defesa do Consumidor. A empresa afirmou estar alinhada às políticas de proteção ao consumidor.

Histórico de fiscalização em plataformas

O processo contra a 99food é o terceiro instaurado pela Senacon com o mesmo fundamento. Em maio, a secretaria abriu procedimentos similares contra os aplicativos iFood e Keeta. Segundo informações do iFood, a plataforma realizou os ajustes necessários a partir do dia 15, passando a exibir as informações de composição de preço no recibo de cada transação, demonstrando que a adequação é viável.

A Senacon iniciou sua campanha de fiscalização sobre transparência de preços em plataformas de transporte individual e delivery em abril, quando expirou o prazo de trinta dias concedido para que as empresas se adequassem às novas exigências.

Mecanismos de fiscalização e proteção

A Senacon concentra seus esforços fiscalizatórios na verificação de como as informações estão sendo apresentadas pelas plataformas. O órgão avalia se a apresentação é adequada, compreensível e está localizada em posição de fácil visualização para o usuário.

Ao tornar mais transparente a composição dos preços, a Senacon busca fortalecer o poder de escolha do consumidor, permitindo que este compare valores e tenha plena consciência de seus gastos. A medida reduz significativamente a assimetria informacional que historicamente favorecia as plataformas em detrimento dos consumidores.

Como registrar reclamações

Consumidores que identificarem a ausência das informações obrigatórias, apresentação inadequada ou incompleta das mesmas, podem registrar reclamações formais. Existem dois canais principais para isso:

  • Plataforma consumidor.gov.br: portal digital oficial para registros de reclamações
  • Procons locais: órgãos estaduais e municipais de proteção ao consumidor

As manifestações registradas nestes canais não apenas formalizam a reclamação, mas também subsidiam as ações fiscalizatórias futuras da Senacon, contribuindo para um monitoramento mais eficaz das plataformas de entrega.

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